Crítica: Darkman - Vingança Sem Rosto (1990, de Sam Raimi) - Pedido de Alisson Vahl


Comentei com meu amigo Alisson Vahl que assisti a este filme e ele pediu a crítica. Aqui está! O ótimo e querido diretor Sam Raimi está em alta de novo. Recentemente nos cinemas passou Oz - Mágico e Poderoso, releitura da história clássica agora dirigida por este mestre. Está passando atualmente nos cinemas de todo mundo o terror A Morte do Demônio, que tem a produção de Raimi (lembrando que ele dirigiu a trilogia inicial, reverenciada por muitos). Após esta ótima trilogia de Evil Dead, que fez fãs durante os anos 80 e início dos 90, foi em 2002 que ele chegou no seu ápice, com a trilogia Homem Aranha. Mas há algumas boas obras do cara entre uma trilogia e outra. Um dos exemplares é este filme aqui, Darkman - Vingança Sem Rosto; você conhece?

A história aparentemente é batida. Um bom cientista chamado Peyton (Liam Neeson) que está prestes a criar algo revolucionário e casar com sua amada Julie (Frances McDormand) tem sua vida destruída por um grupo de criminosos, a mando do vilão Duran (Larry Drake). O resultado é o corpo e metade da face queimada, dado como morto e sem esperança. Assombrado pela tragédia, ele vira um justiceiro misterioso, que começa a pegar um por um dos vilões.Para cumprir sua tarefa, ele usa a tecnologia que criou, uma espécie de rostos artificiais, que dura por 99 minutos. O interessante deste filme são alguns diferenciais.


Primeiramente é inusitado a mistura dos 2 padrões de Sam Raimi. O primeiro deles é o terror trash e humor negro (elementos de Evil Dead e Arrasta-me Para o Inferno); o segundo deles é a ação e adrenalina desenfreada (elementos de Homem-Aranha). Este filme realmente é um meio-termo entre uma tendência e outra de Raimi. É puramente Sam Raimi nas suas 2 grandes características. O início do filme apela pra esse lado assustador e triste. Mas há muita comédia pastelão e algumas cenas esquisitas (mas no bom sentido). O filme é assumidamente classe B e abusa disto para ser bacana. Mas lá pelo final, assume um ritmo acelerado, com muita, mas muita ação. Notamos, mesmo que com poucos recursos, várias cenas que o diretor iria fazer no filme do Aranha. Inclusive a luta final no alto de um prédio, onde a mocinha está amarrada pelo vilão e precisa ser salva. Antes disso há uma cena de Darkman pendurado em um helicóptero, voando baixo entre os carros. O jogo de câmera lembra os deslizes do Aranha. Enfim há muito o que ver de semelhante neste filme. Foi um tipo de aquecimento do diretor.

Interessante que ele queria fazer um filme de herói. Tentou dirigir vários, dentre eles O Sombra. Mas todos foram vetados. Então ele decidiu criar seu próprio herói, e deu certo. Embora não fosse uma HQ (acredito que após o filme foram criados alguns exemplares), Darkman tem todos elementos do super heróis. Mas ainda tem aquele gostinho de terror trash, deixando tudo mais delicioso de se degustar. Atuações simples e esforçadas de todo o elenco fazem valer mais ainda a olhada. Liam Neeson antes de se tornar uma grande estrela do cinema de ação e fantasia e ícone pop já mostrava jeito para ser um herói do cinema fantástico. A ótima Frances McDormand vive uma mocinha mais madura e adulta; mas tem tudo que precisa: atuação boa, presença em cena e como já é de se esperar: precisa ser salva pelo seu amado e triste herói. 

Se você gosta de clássicos, filmes alternativos e mais desconhecidos, ama aquele estilo de super herói, HQ, boas cenas de ação e piadas, um protagonista triste mas carismático; se você é nerd, cinéfilo ou aprecia a carreira do bom diretor Sam Raimi e seus Evil Dead e Homem Aranha: bem então este é seu filme. Não perca este entretenimento interessante, onde conseguimos sentir pena e torcer pelo nosso herói. Sam Raimi é mestre no que faz, e Darkman - Vingança Sem Rosto é um ótima pedida de um filme B divertidíssimo para se assistir no final de semana.

NOTA: 8,5



Direção: Sam Raimi

Elenco: Liam Neeson, Frances McDormand, Ted Raimi, John Landis, Colin Friels, Larry Drake, Nelson Mashita, Jessie Lawrence Ferguson, Rafael H. Robledo, Dan Hicks, Dan Bell, Nicholas Worth, Aaron Lustig, Arsenio 'Sonny' Trinidad, Said Faraj, Nathan Jung, Professor Toru Tanaka, John Lisbon Wood, Frank Noon, Maggie Moore.

Sinopse: Peyton Westlake é um cientista que pesquisa peles sintéticas para auxiliar no tratamento de deformidades. Quando seu invento esta quase totalmente desenvolvido ele é atacado e brutalmente espancado em seu laboratório. Após a explosão, fica horrivelmente mutilado e é tratado com uma forma radical de terapia que desliga seus nervos impedindo que sinta dor. Como efeito colateral, a falta de sensações o induz a estados psicóticos onde fica com uma força sobre-humana. Quando consegue dominar-se, começa a arquitetar um plano para vingar-se de todos os que o perseguiram, usando para isso os resultados de sua pesquisa que possibilitam a ele assumir a identidade de qualquer um através de máscaras feitas com a pele sintética. Existe apenas um problema, a pele começa a se desintegrar após 99 minutos.


Trailer: 








O Vigilante da Noite

2 comentários :

  1. Darkman é o super-herói que mais me cativou até hoje. Não voa como os outros super-heróis, não sobe um edifício de 40 andares apenas dando um salto (não pula também de um edifício desses e cai no chão, intacto), não tem ideias de salvar o mundo, pois quer apenas combater os piores criminosos locais, e matar seu pior inimigo Robert G. Durant (como vilão, o Durant também me cativou demais. Ele não é um clichê como Lex Luthor. Durant apenas quer obter o monopólio do tráfico de armas em sua cidade, sem pretensões de querer dominar o mundo. E mesmo assim ele consegue ser muito mais cruel que os outros vilões clichês).
    Darkman faz todo o serviço de combate ao crime usando de métodos normais. Não usa os métodos espetaculares dos super-heróis comuns. Apesar de ter também uma força descomunal, ele tem todas as limitações que um ser humano normal tem. E isso a gente não vê no Capitão América, no Homem-Aranha, no Super-Homem, no Batman, porque esses outros pra mim não passam de clichês.
    Darkman é um super-herói diferente. Ele também quer combater o crime como todos os outros, mas não tem os mesmos lugares-comuns, não tem ideologias patrióticas, não possui superpoderes e tem seus limites físicos, como qualquer ser humano comum.
    O filme é excelente, as continuações também. Realmente é um super-herói que todos que gostam desse gênero de personagem deveriam conhecer. Também é de destacar o arquiinimigo dele, Robert G. Durant. É o vilão mais sádico que já vi em filmes. Esse também é um grande diferencial nessa série.
    Nota dez pra Sam Raimi e pra todos os colaboradores desse que pra mim é o melhor filme de super-herói que já existiu.
    Abração também pro Alisson Vahl, e para todo o blog em geral. Está nota dez!

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    1. Muito obrigado pelas palavras e participação. Volte sempre meu amigo, forte abraço!

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