O HOMEM DE AÇO (MAN OF STEEL, 2013)


(Crítica publicada por "Anjo Da Guarda", com seu nome original, no caderno de Cinema da Rede Bom Dia de jornalismo, edição de Itatiba, São Paulo)


"O diretor  Zack Snyder desviou a mão em se distanciar dos quadrinhos e permanecer, na maior parte do tempo, apenas no aspecto fantástico do super herói"







A meta seria mesmo ousada, fazer ressurgir nos Cinemas talvez o super herói mais emblemático da história dos quadrinhos, o “Superman”. Exceto os filmes clássicos do super herói, bem como as séries nele inspiradas, as últimas tentativas de Hollywood em revitalizar o personagem foram decepcionantes, como “SUPERMAN-O RETORNO” de 2006, dirigido por Brian Singer. Para realiza-la agora a Warner contou com a direção de um dos diretores mais promissores do gênero, Zack Snyder, que vem de um currículo bastante lucrativo após ter dirigido os sucessos “300” e “WATCHMEN”. Ainda assim, a produtora precisava de um produtor que abraçasse a causa e foi então que surgiu Christopher Nolan, o gênio que dirigiu a trilogia “BATMAN-O CAVALEIRO DAS TREVAS”, que tornou os três filmes obras-primas e dos mais rentáveis da história. Uma das contribuições de Nolan seria a vinda de seu co-roteirista David S. Goyer, que o auxiliou durante a trilogia e que trabalharia neste roteiro. E assim foi dada a largada para o ambicioso projeto “O HOMEM DE AÇO (Man Of Steel, 2013)” que estreou na última 6ª feira no país e que nas duas últimas semanas ficou no topo das bilheterias no Brasil.

A questão é que, mesmo com todo este contexto e com Zack Snyder a frente de tudo, o filme resvalou. Tudo porque o diretor tem um problema com este gênero, por vezes ele acerta e por vezes não, como aconteceu, por exemplo, com seu último filme “SUCKER PUNCH” de 2011. Mas o que acontece? É um vício, ou se dá mais atenção a história ou mais atenção  a energia e em “O HOMEM DE AÇO” foi a 2ª opção. Uma dos acertos de Snyder com Goyer seria mostrar à saída do personagem de Krypton e a sua infância na terra, o que realmente eles tentaram, mas de forma muito econômica. O início do filme é um grande resumo de tudo, muito rapidamente vemos Krypton enfrentar uma crise, com rebeldes fomentando a discórdia, até que o pai do herói, interpretado por Russel Crowe, envia o filho ainda bebê a terra, prevendo a iminente extinção do planeta. Depois acompanhamos o herói já adulto, equilibrando os poderes com o sacrífico da vida miserável aqui. E a infância? Acompanhamos através de flashbaks, que tem também a meta de deixar claro o drama vivido pelo personagem, ao ter que administrar tudo em sua mente, quando descobre suas origens, mas isso com toda a economia e rapidez de Snyder. O que não tem nada de rápido é a batalha, depois que Lois Lane já apareceu, como a repórter investigativa, durante a descoberta de uma nave nos árticos e depois que, após acionar a mesma com a ajuda do herói, o mundo alienígena, de fato, vem a terra. 



A estrutura de linguagem em uso parece ser estranha, como por exemplo, o aparecimento do pai do herói como um espectro, somente dentro da nave e quando uma chave especial é acionada. Este recurso do diretor deixa a história cheia de clichês, uma vez que com a ajuda deste espectro, é que se pode dar a vitória da trama. É tudo muito fantástico demais. Uma das sequências alias, que vale muito a pena, é justamente o primeiro encontro do “Superman” com o espectro do pai. Em alguns minutos o personagem conta a história de Krypton para o filho e a narrativa ganha vida através de um relevo em prata, que se movimenta na tela, um efeito belíssimo. Quiçá o filme todo permanecesse dessa forma. E depois fica claro, o filme nada mais é que a batalha do “Superman” com o vilão “General Zod”, interpretado por Michael Shannon, o mesmo que matou o pai do herói ainda em Krypton, para que ele não destrua a humanidade e transforme a terra na nova Krypton. 


As cenas de batalha são as mais exageradas possíveis, os personagens são dotados de tanta força, que num único soco são capazes de dar a volta ao mundo. As escolhas dos atores não foram também tão felizes, a única que se salvou foi Diane Lane como a mãe do herói, do contrário, nem Kevin Costner como o pai e nem Amy Adams como Lois Lane, convenceram. O próprio ator Henry Cavill, que interpreta o personagem, é apenas mais um “bombadão” e rostinho bonito, que não consegue transmitir o drama vivido por um herói emblemático, alias, todos esses fatos, distanciam e muito o filme dos quadrinhos. Vale lembrar que ele é emblemático pois, sendo um “alienígena” cheio de poderes sobrenaturais, aceita viver como humano e entrega a vida pela humanidade que o acolheu, tornando-se assim uma espécie de "messias", um herói, mas usando seus poderes somente pela necessidade. A única que coisa que resta agora é um segundo filme, onde Snyder seja mais fiel aos quadrinhos e não se apoie tanto no aspecto fantástico do herói, nos fazendo duvidar se estamos no Cinema ou numa montanha-russa de um parque diversões.

NOTA: 7







Daniel Serafim Mais Cinema

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