EXPEDIÇÃO KON TIKI (KON-TIKI, NORUEGA, 2013)

(Crítica publicada por "Anjo Da Guarda", com seu nome original, no caderno de Cinema da Rede Bom Dia de jornalismo, edição de Itatiba, São Paulo)


"Filme recria uma das navegações mais audaciosas da história e transmite senso perfeito do quanto é necessário acreditar em si mesmo."



Acima de tudo, existe uma mensagem, perfeita e completa, transmitida através do filme “Expedição Kon Tiki (kon-tiki, Noruega, 2013), que estréia nesta sexta feira nas salas de Cinema do país: ter um foco. Uma história verídica, que faz do filme uma recriação, já que, além de ter sido documentada em tempo real, o próprio documentário depois de montado, venceu o Oscar em 1951. Da mesma forma “Expedição Kon Tiki” foi gloriosamente uma das cindo indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013. Em 1947 um homem chamado Thor Heyerdahl (respeitosamente interpretado por Pål Sverre Valheim Hagen), alguém que tinha no sangue o espírito da aventura, imaginou o impossível. Ele imaginou que a Polinésia havia sido povoada por sul-americanos e não por asiáticos, que teriam feito um caminho inimaginável do Peru a Polinésia. Desta forma, para a época, tornou-se o contraditor de todos os historiadores e de todos os livros marítimos, ele iria refazer o caminho da mesma forma como os pioneiros, através de uma simples jangada. Pois bem, crendo em seu foco, Thor tentou ter a sua ideia patrocinada, mas na visão do público era tão “idiota” que levou somente “portas na cara”. Pois finalmente encontrou um homem disposta a ajuda-lo e a acompanha-lo. Sendo assim a viagem de Thor e sua equipe iniciou e em 101 dias navegaram sete mil quilômetros até chegar ao seu destino e provar que estava certo. Desta maneira o navegador entrou para a história no mesmo nível de gênios incompreendidos, como por exemplo, Galileu Galilei, aquele que acreditava que a terra girava em torno do sol.


Quais seriam os grandes trunfos do filme? A começar pela dupla de jovens diretores a história é desconhecida da geração de hoje. Os dois amigos de infância Joachim Rønning e Espen Sandberg trabalharam com comerciais na Noruega, ganharam prêmios e chegaram a dirigir um pequeno e divertido filme em Hollywood chamado “BANDIDAS”,com Salma Heyk e Penelope Cruz. Ganharam assim prestígio e através dele foram arrecadando dinheiro para compor “KON TIKI”, espantosamente o filme mais caro da história da Noruega e tornou-se também o mais lucrativo. O filme apresenta a “cara” da viagem que não foi possível ser assimilada pelo documentário, mostra conflitos entre os tripulantes e o conflito com águas, já que eram tomadas por uma avalanche de tubarões e também de tempestades. Como toda causa tem também seu lado cruel, o feito chegou ao seu destino, mas o casamento do navegador foi “por água abaixo”, sua esposa não aceitou a distância, mesmo acreditando no marido e separou-se levando os filhos. Vale ressaltar uma curiosidade, o filme tem muito haver com o outro filme de 2013 que foi vencedor do Oscar, “AS AVENTIRAS DE PI” já que em “EXPEDIÇÃO KON TIKI” o caminho feito é o inverso feito pelo personagem de “PI”. Em alguns momentos é possível enxergar as mesmas paisagens nos dois filmes, ou seja, uma dessas magias encantadoras do Cinema.




Ainda falando sobre os lucros do filme os diretores já fecharam contrato para dirigir uma série na HBO e o ator Pål Sverre Valheim Hagen vai trabalhar em Hollywood com o excelente diretor J. J. Abrans. É incrível como um sonho e um foco vai arrastando outro, o filme “KON TIKI” mostra uma grande e importante história, mas sua maior mensagem é ter um foco e ir até ele por tudo nessa vida. Numa das sequências a câmera vai se distanciando da jangada até sair do planeta e mostrar o universo e as estrelas. Talvez ela queria dizer que em bilhões de pessoas temos que fazer a diferença, acreditando na visão, da mesma forma como Thor, o navegador.

NOTA: 8,5





Daniel Serafim Mais Cinema

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