CRÍTICA: "Amor sem Pecado" (2013)


"Amor sem Pecado" (Adore - 2013)


Existe uma peculiaridade nos filmes com teor mais polêmico. Alguns são, descaradamente, feitos para chamar a atenção do público e não tem nenhum conteúdo proveitoso, e existem alguns que são polêmicos, porém, trazem consigo uma carga de realidade que nos envolve, como acontece em “Amor sem Pecado” que causou um pequeno alvoroço ao ser divulgado. Anne Fontaine, diretora de filmes como “O preço da Traição” e “Coco antes de Chanel” comanda essa forte e diferente história de paixão entre dois casais. Vale lembrar que o filme é uma adaptação da obra "Two Grandmothers" da escritora vencedora do Prêmio Nobel, Doris Lessing.




Lil (Naomi Watts) e Roz (Robin Wright) vivem num lugar um tanto paradisíaco, à beira do mar, com seus filhos Ian (Xavier Samuel) e Tom (James Frecheville), respectivamente. Logo no início da fita, Lil perde seu marido e acaba vivendo sozinha com o filho, enquanto Roz continua casada. A cada cena fica fácil perceber o quão amigas elas são, a ponto de muitos as confundirem com lésbicas e julgar um caso amoroso entre as duas. Na verdade, a amizade entre elas é algo fortíssimo e o filme consegue passar isso tranquilamente e, inclusive, consequência dessa amizade é a relação entre seus filhos, grandes amigos que cresceram juntos. 

 Em determinado ponto, uma cena já começa aflorar no espectador um pensamento que viria a acontecer: enquanto os rapazes estão surfando, as duas mães estão na praia observando-os e verbalizando a admiração pelos jovens. Numa noite qualquer, depois de um jantar, Ian acaba dormindo na casa de Roz e, num impulso, acabam se envolvendo e, nessa mesma sequência, Tom descobre tudo. Um tanto revoltado, Tom resolve contar a Lil sobre o que viu e a mesma hesita em acreditar. É aí que aparece um ponto chave da história. Lil e Tom também se envolvem, mas neste caso, parece que, simplesmente, por vingança.



O ponto positivo do filme é que ele não é arrastado, não há ‘rodeios’ e até a metade do filme tudo parece já ter acontecido. Na verdade, não. Nas primeiras relações tudo já é esclarecido entre os personagens que, mesmo sabendo da estranheza da situação, decidem continuar, já que as mesmas se julgam felizes com aquilo. Dois anos depois, tudo parece tranquilo até que Tom vai à cidade a trabalho e acaba conhecendo uma jovem, com quem, inevitavelmente, se envolve. Lil se sente insegura e a relação dos dois se abala causando desconforto, também, ao outro casal e Roz, numa atitude madura, decide parar com todo o romance. Algum tempo passado, Ian e Tom se casam com suas respectivas noivas e Lil e Roz se tornam avós. Mesmo com toda essa áurea familiar entre eles, em certo momento Ian descobre que Tom ainda se envolve com sua mãe. Eis mais um tenso capítulo da história que traz um final excitante.

Como comentado no início, o filme causou certo ‘barulho’ inicialmente, porém, não há nada de apelativo nele. A história envolve uma paixão carnal entre personagens e ficaria vazio se não houve uma ou outra cena mais forte, o que não atrapalha seu desenvolvimento e não causa polêmica excessiva.

Falando um pouco sobre os pontos técnicos, não posso deixar de citar a incrível fotografia do filme. A beleza visual é perceptível em toda a projeção e isso dá um toque a mais no filme, além das cenas bem filmadas e ângulos coerentes e precisos. Somando a essa beleza técnica temos as interpretações. Particularmente, sou fã de carteirinha da bela Naomi Watts, mas não vou enchê-la de elogios, apesar de ela os merecer. Watts e Wright são veteranas e dão show na atuação. São excelentes e dignas de profunda admiração. Os dois jovens, no entanto, apenas cumprem seus papéis e, apesar de ofuscados pelas ótimas atrizes, mantêm um equilíbrio na tela.









Com estreia marcada para o dia 01 de novembro, “Amor sem Pecado” é um filme que, com certeza, não vai agradar a grande maioria, mas devo dizer que, é sim, um excelente trabalho da diretora Anne Fontaine. A força da paixão e o desejo que vencem o medo dos olhares alheios. A entrega a um amor que é mais forte do que as aparências.




NOTA: 6.5



Título original: "Adore"
Lançamento: 06 de Setembro de 2013 (EUA)
                        01 de Novembro de 2013 (Brasil)
Direção: Anne Fontaine
Elenco: Naomi Watts, Robin Wright, Xavier Samuel, James Frecheville.


Trailer:


























O Peregrino Solitário

5 comentários :

  1. Essa critica é muito boa, diz tudo que eu quero dizer é muito mais. Adorei, assim como adorei este filme.

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  2. Vi o filme. Achei realmente muito sutil ao tratar de uma situacao polemica, mas tambem fala de formas dr amor nao convencionais. Enfim, o filme me fez refletir , gostei!

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  3. Um filme que pode se dizer forte para quem não é entende que uma explosão de sentimentos pode acontecer, principalmente com tudo de belo ao redor, um bom filme para universidades debater com alunos em aulas de psicologia. Perfeito.

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