CRÍTICA: THE BUTLER (2013) (Oscar 2014!)



Dirigido pelo competente diretor - Lee Daniels - que antes nos presenteou com outro filme centrado na comunidade negra - Preciosa (Precious) - The Butler foi um filme que aguardei ansiosamente para assistir por um bom tempo. Muito se falou do elenco que estava muito bem, da importância da história e principalmente... Houve uma chuva de comparações com o sucesso Histórias Cruzadas (The Help). 
Que ninguém se engane. The Butler parece inteiramente ter sido dirigido por um homem diferente daquele que cuidou do ótimo Preciosa. É feio comparar com o bem sucedido The Help e... Algo deu muito errado aqui.


Tendo divido  a crítica especializada, The Butler acompanha a história real de um mordomo que trabalhou muitos anos na Casa Branca, servindo assim algumas importantes gerações de presidentes americanos. Acoplado a isso, uma vez que começamos lá no outro século com a questão da escravidão, temos todo um retrato da luta dos negros na America ao longo das décadas. Parece tocante e perfeito, não? Errado. Com certeza poderia ter sido tudo isso, mas tendo o roteiro caricato que tem, a fórmula vai por água abaixo se resumindo a uma mera colagem de episódios de sofrimento dos negros através da história. De forma muito incômoda (eu realmente me recusava a acreditar enquanto assistia) fica claro como cristal que tudo
está sendo atirado - ou melhor - colado na trama abruptamente com a simples e única intenção de arrancar lágrimas de seu espectador à qualquer custo.


Uma hora são escravos sendo abusados sexualmente e mortos friamente no campo, na colheita de algodão (uma participação relâmpago da cantora/atriz Mariah Carey), para rapidamente já ser o protagonista (menino) servindo os brancos, para ainda mais rapidamente ser o mesmo agora adolescente roubando para comer e levando tapa na cara por se referir de forma racista a sua própria cor. A sequência de um ataque a negros em um ônibus é inserida de forma tão "caminho barato e fácil para causar emoção" que impressiona pelo descaramento.
Há meia dúzia de atores que tem participação tão pequena e logo tão sem significância ou peso algum para a trama (a ótima Jane Fonda, Lenny Kravitz, Cuba Gooding Jr.). Como protagonista, o Oscarizado Forest Whitaker não me mostrou nada além de uma atuação correta. Nenhum momento de grandeza digno dos rumores de indicação ao Oscar 2014 por esse seu trabalho (espero que esse filme não seja indicado!).


Outra com rumores de Oscar é a apresentadora/figura super influente/atriz Oprah Winfrey que faz seu retorno as telas depois de um século longe delas desde sua ótima estreia no belo A Cor Púrpura. Ela está bem, mas não perfeita porque conta com seus momentos onde a atuação desliza no falho.
Tecnicamente a produção não merece grandes louvores igualmente. Tudo feito muito correto, mas sem nada com o mínimo de grande inovação visual. Atrilha sonora parece encantadora de imediato, mas se torna tão repetitiva que se desgasta. 
Um filme que tem ar de novelão, com atuações que estão sendo superestimadas e no máximo três sequências de algum respeitável peso. Esse é The Butler. Não foi nenhuma experiência mortal para mim tê-lo assistido (se for do seu interesse, ele chega nos cinemas brasileiros em novembro como O Mordomo Da Casa Branca), mas não tenho interesse de rever esse festival de emoções forçadas. 
Ele já se aproxima dos US$100 milhões arrecadados só nos EUA para um orçamento contido de US$30 milhões. 
Pelo visto "novelas" são populares mesmo.



NOTA: 6 de 10


Mágico de Oz

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