Crítica: ... E O Vento Levou (1939, Victor Fleming)




Filme: ... E O Vento Levou (Gone with the Wind)
Gênero: Drama
Direção: Victor Fleming 
Ano: 1939
Roteiro: Sidney Howard, baseado no livro de Margaret Mitchell


"Existia uma terra de cavalheiros e campos de algodão chamada 'O Velho Sul'. Neste mundo bonito, galanteria era a última palavra. Foi o último lugar que se viu cavalheiros e damas refinadas, senhores e escravos. Procure-a apenas em livros, pois hoje não é mais que um sonho. Uma civilização que o vento levou!”

Opinião é subjetiva, eis um fato irrefutável, entretanto se fosse para deliberar e eleger os melhores filmes já feitos, E O Vento Levou, o clássico imortalizado de 1939, estaria, com toda e rigorosa exatidão, na lista. Entretanto, como uma crítica não é individual, trancada unicamente nas ponderações de uma pessoa, apresento a minha visão sobre E O Vento Levou, um dos melhores filmes que já assisti na minha vida, sendo acometido, em sua quase quatro horas de duração, por um misto de sensações que iam do ódio ao amor pela protagonista, arrebatado pela mais do que primorosa atuação de Vivien Leigh.





O filme conta a história da rebelde e decidida Scarlett O'Hara (Vivien Leigh), filha de um imigrante irlandês que se tornou um rico fazendeiro do Sul dos Estados Unidos, pouco antes da Guerra Civil Americana, a qual é, por sua vez, o cenário principal que dá movimento ao roteiro e, por conseguinte, anima a trama da nossa protagonista de pavio curto. No começo do filme, Scarlett é uma bela jovem mimada, orgulhosa e ambiciosa, apaixonada por Ashley Wilkes (Leslie Howard), filho do fazendeiro vizinho, mas este fica noivo da doce Melanie Hamilton (Olivia de Havilland).


Surge, a partir desta paixão e em meio a tantas outras situações, um processo apinhado de paixões, conflitos e decerto ambições que dão vida ao filme, fazendo quem o assisti torcer, odiar e sentir verdadeira compaixão por algumas das personagens entremeio a uma cidade em chamas, assolada pela guerra que o Sul jamais pudera vencer. Scarlett se envolve nas mais altas peripécias, em situações desesperadoras, para ficar com o seu amado e manter-se distante dos sofrimentos, fome e pobreza que vem a assalta-la ao logo da trama. É em Tara, a fazenda onde nasceu, que conhece Rhett Butler, um cavalheiro de má reputação e que não toma partido na disputa entre Sul e Norte do país. Rhett declara o seu amor por Scarlett, entretanto a aversão que esta sente por ele a leva a repudia-lo, frisando o fato de ser apaixonada pelo comprometido Ashley Wilkes.


Scarlett casa-se  unicamente para convir os seus próprios interesses. E não somente uma vez! Scarlett casa-se com Charles Hamilton, irmão de Melanie, na tola tentativa de fazer ciumes em Ashley, o que vem a ser frustrado por não conseguir almejar o que deseja. Logo em seguida, Ashley e Charles partem para a recém-declarada Guerra Civil. Contudo, Charles morre pouco tempo depois disso, deixando Scarlett viúva pela primeira vez. Nos momentos subsequentes, ao passo que a guerra se desenrola num banho de sangue e dor, Scarlett vai para a cidade de Atlanta viver com Melanie e aguardar a volta de Ashley, servindo o Sul como enfermeira e ajudando a cuidar dos feridos.

Talvez o desespero em ver um pobre soldado ser amputado fora demais para Scarlett, porque juntamente com a amiga, ela volta para sua fazenda Tara, onde encontra sua mãe morta, seu pai louco e a fortuna destruída perante as ruínas de seu lar. Tomando providências para não deixar que tomem Tara, Scarlett, mesmo ainda amando Ashley, se casa com o noivo de sua irmã apenas por ele estar prosperado. E daí começa o segundo casamento de Scarlett, que não durou muito, porque em virtude de uma emboscada, acaba sendo morto.

É necessário dizer que, a esta altura, a guerra já havia acabado, deixando os fragalhos do velho Sul e seus habitantes humilhados, subjugados perante os Yankees que passariam a ditar os ideais que reformariam aquele país. Scarlett precisa da ajuda de Rhett diversas vezes, posteriormente chegando a casar-se com ele, tendo uma filha e enfrentando obstáculos e situações que jamais imaginara presenciar. Não tarda para que o filme finde, no entanto fazendo com que Scarlett tenha uma importante descoberta, o que contribui para o seu desfecho surpreendente.


Quem assistiu o filme deve ter notado o quão desprezível e arrogante Scarlett pode ser para conseguir o que quer. Bipolar, de caráter duvidoso quando testado, possuindo um temperamento mais do que difícil, concedendo importância a poucas pessoas além de si. Seu egoísmo convoca a morte, e o amor que nutri por Ashley é a infelicidade que paira ao seu redor. No entanto, indo além desses predicados um tanto... pejorativos, Scarlett O’Hara é fascinante, destemida, corajosa, imbatível entremeio as mais difíceis posições que se erguem no seu caminho e, sobretudo, inegavelmente, responsável.

E para encontrar a atriz que interpretaria esta emblemática personagem, catalizou-se uma verdadeira disputa que, entre mais de 1400 atrizes entrevistadas para o papel, Vivien Leigh foi a vencedora. E a atriz inglesa fez por merecer, ganhando o Oscar de melhor atriz pela sua excelente atuação no filme. E O Vento Levou é um mestre deste prêmio, o segundo filme com o maior número de indicações ao Oscar, ficando atrás apenas dos empatados A malvada, de 1950, e Titanic, de 1997, que foram indicados a 14 Oscars. Venceu, também, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Hattie McDaniel), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. A fabulosa e inesquecível trilha sonora também foi indicada, ainda que não vencesse a categoria.


Uma curiosidade acerca do filme é que Hattie McDaniel tornou-se a primeira artista de origem africana a ser indicada e a receber um prêmio Oscar (o de Melhor Atriz Coadjuvante). Porém, ela não pôde comparecer na première de E O Vento Levou, em Atlanta, por causa das leis racistas que regiam à época. O filme, como supracitado, é uma adaptação do livro de Margaret Mitchel que, assim como o filme, tem um enredo gigantesco, resvalando-se entre 801 páginas, contudo quem o lê, assim como quem assisti o filme, não se sente enfadado, uma vez que é bastante envolvente, com diálogos cômicos e inteligentes - assim como o filme.

Enfim, E O Vento Levou é um dos primeiros filmes coloridos a serem filmados, um clássico que consagrou frases que, surpreendentemente, entraram para o vocabulário do senso comum com esmera facilidade. É um filme com boas lições morais e que quebrou barreiras, cujo tende a ser engraçado em seus devidos momentos, mas que também expõe seriedade em assuntos importantes como a guerra civil americana, tão importante para derrubar ao chão as leis escravocratas que imperavam nos estados do Sul, não obstante a carnificina perpetrada seja realmente lamentável. A sensação ganha pós-filme é, rezumidamente, "uau". E esta mesma sensação aliada com fortes reflexões nos leva a crer que o filme é dez, com cenas marcantes, primorosamente feito. Mais bons adjetivos? Todos os possíveis.




NOTA: 10


TRAILER: 




Olhos Famintos

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Comente sobre o filme ou o blog. Pergunte, reclame ou elogie.

Obrigado...