CRÍTICA: "Invocação do Mal" (The Conjuring - 2013)



Há muito tempo não vemos, no cinema, um filme de terror tão bom! Sim, demos créditos a “Evil Dead” que chamou a atenção do mundo com seu estilo trash e sanguinário bem bolado e títulos como “Mama” e mais um da desnecessária franquia “Atividade Paranormal” que, mesmo massacrados pela crítica, não fizeram feio na bilheteria.



O diretor James Wan vem fazendo fama com seus muitos filmes de terror que viraram febre. Foi ele quem lançou ao mundo o filme “Jogos Mortais” e se encarregou da produção de todos os outros títulos da franquia. Além disso, dirigiu em 2011 o ótimo “Sobrenatural (Insidious)” que, também, fez bonito nas bilheterias, assim como seu sucessor que, recentemente, liderava a bilheteria americana. Entretanto, é com esse seu novo filme que ele merece um maior reconhecimento; “Invocação do Mal” é uma obra que se mostra competente em muitos aspectos e faz justiça ao bom e velho gênero terror, que tanto vem sofrendo com a má qualidade nos últimos anos.




Na década de 1950, um casal de sobrenome Warren fundou uma organização sobre investigação paranormal cuja intenção era ajudar pessoas que sofriam com perseguições de espíritos, fenômenos inexplicáveis e coisas do tipo. Não, não estou narrando o filme, isso é verdade. O casal Warren foi responsável por solucionar diversos casos paranormais nos Estados Unidos, alguns deles bastante famosos e que já ganharam as telas de cinema, como é o caso de “Amityville”. Tudo isso dá uma veracidade maior ao “baseado em fatos reais” que o filme apresenta (já que muitos outros são baseados de uma forma superficial). “Invocação do Mal” é uma pequena biografia, que apresenta ao mundo o casal paranormal e suas funções de trabalho e, além de apresentar o caso Annabelle, uma boneca demoníaca que era usada por espíritos como um canal para fazer o mal às pessoas, projeta um de seus casos mais controversos e difíceis ocorrido em Harrisville.


No início da década de 1970, um casal de sobrenome Perron, interpretado por Ron Livingston e Lili Taylor, e suas cinco filhas estavam sendo atormentados por espíritos que vagavam pela casa e pelas terras onde haviam acontecido crimes misteriosos e injustos. Desesperados por não saberem o que fazer, recorrem à ajuda dos investigadores citados que, em uma única visita, conseguem perceber a gravidade do caso e o quão maligno ele é.
Patrick Wilson, já parceiro de Wan desde “Sobrenatural”, interpreta Edward Warren, o investigador e demonólogo. Já o papel de Lorraine Warren ficou a cargo da sempre excelente Vera Farmiga, que aqui, como não poderia ser diferente, mostra seu talento inabalável com uma atuação esplêndida, consistente e, talvez, digna de prêmios.

Foto verídica do casal Warren e a verdadeira boneca Annabelle.


Lorraine Warren tem o dom de sentir e ver o que está no plano paranormal e, logo que chega à casa dos Perron, vê que a mesma está assombrada por um demônio, vendo logo a necessidade de um exorcismo. O exorcismo, por sua vez, como é mostrado em quase todos os filmes do gênero, necessita da aprovação do Vaticano, já que é um ritual antigo e não usual e para provar tal necessidade, precisam colher provas de assombração e possessão. Como o próprio Ed diz no filme: “Essa é a parte mais difícil”.

É nesse momento do filme que se desenvolvem (e muito bem) as cenas de assombração e horror: portas se abrindo sozinhas, fantasmas que aparecem e somem do nada, vozes estranhas e as descobertas macabras que dão segmento ao filme. A atmosfera instaurada é excelente e, juntamente com a ótima fotografia, dão um clima de tensão ao filme que funciona do início ao fim. Sempre deixo claro o quanto gosto desse tipo de ambientação: casa assombrada em tempos passados e envolta em árvores estranhas. Costumo usar como exemplo o excelente “Os Outros” e o pouco conhecido “Rose Red”, um telefilme baseado na obra de Stephen King que vi há anos atrás e que me fez sentir medo por muito tempo. Resumindo, cenas bem boladas com fantasmas, vultos, sustos, visões e pombos (cena que ficou ótima e lembra o clássico de Hitchcock, “Pássaros”) dão continuidade ao longa, chegando ao ápice nos minutos finais com uma tensa cena de exorcismo e a demonstração do potencial dos atores.


“Invocação do Mal” não é um filme original e deixo claro que é um terror com muitos clichês e sem muitas novidades. Entretanto, vemos por aí filmes que contêm essas típicas cenas de terror e que não conseguem passar absolutamente nada ao telespectador. Não é o caso. Aqui, temos tudo isso agregado, mas de uma maneira extremamente competente e bem feita. Cenas clássicas de horror e até de exorcismo são usados de forma pertinente pelo diretor e somando o ótimo roteiro com as atuações e a parte técnica, temos, sem dúvida, um dos melhores (senão, o melhor) filme de terror dos últimos anos. Humildemente, aplico a nota do filme levando em consideração, não a inovação ou qualquer outro quesito técnico, mas sim, a sua eficácia enquanto filme de terror que, com seu roteiro bem elaborado, gera um ótimo desenvolvimento e desfecho, especialmente em comparação a outros títulos do gênero.


NOTA: 8,5


Foto verídica do quarto onde o casal Warren guarda os objetos assombrados.


Invocação do Mal
Título original: 'The Conjuring'
Ano: 2013
Duração: 112 min.
País: EUA
Direção: James Wan
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Ron Livingston, Lili Taylor, John Brotherton, Shannon Kook.

Trailer:



  


  
  

  





O Peregrino Solitário

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