Crítica: O Som do Coração (2007 Kirsten Sheridan)


Filme: O Som do Coração (August Rush)
Gênero: Drama
Direção: Kirsten Sheridan
Ano: 2007

“Evan (Freddie Highmore) é o resultado do encontro casual entre um guitarrista e uma violoncelista. Crescido em um orfanato e dotado de um dom musical impressionante, ele se apresenta nas ruas de Nova York ao lado do divertido Wizard (Robin Williams). Contando apenas com seu talento musical, Evan decide usá-lo para tentar reencontrar seus pais.”

Há um tempo – a bem da verdade, há muito tempo – eu fui incumbido a fazer uma crítica deste filme. Uma série de fatores impossibilitou-me de cria-la de imediato. Mas enfim, peço minhas sinceras desculpas para com meus companheiros e leitores do blog e aqui estou eu para deliberar o filme e chegar à crítica.


O Som do Coração trata-se de um filme que dividiu os meus pensamentos e fez-me travar uma luta interna, tentando chegar a uma boa conclusão com relação ao que vi. Primeira e obviamente o assisti e quase fiquei diabético de tanta doçura que o filme dissipa. Ah, estou falando isso no bom sentido, porque a doce e encantadora atuação do jovem Freddie Highmore como Evan deixa qualquer machão sorrindo como um besta ao longo do filme. O filme convoca boas mensagens, mas aí está a pedra fundamental que me fez ficar relutante com relação ao O Som do Coração.



Por que tantos clichês e, sobretudo, qual o intento de fazer uma obra explicitamente ficcional transmutar-se forçadamente em algo realista? O filme é uma fábula romântica, certamente. Evan é órfão e publicamente fascinado pela música, ouvindo-a em todo o tipo de lugar, nutrindo a poderosa esperança de que os seus pais voltarão para busca-lo. A história é intercalada com flashbacks, portanto assim sabemos que Evan é filho do romance de uma noite só de seus pais, ambos engajados na música embora trilhando caminhos diferentes. A trama é toda apinhada de canções românticas; lindas, devo admitir e não refuto o dito. O roteiro foi muito bem pensado para evidenciar vozes e, repetidamente, fazer-nos sorrir tolamente ou, até mesmo, chorar – estou falando sério, hein.

Mas aí surgem os clichês inerentes a produções hollywoodianas. O filme deixa explícito o quanto à música pode mudar a vida das pessoas, no entanto esta sentença é constantemente usada em musicais e filmes do gênero, chegando a ser apelativo por não ser capaz de inovar entremeio a um roteiro que oscila entre o delicioso e o cansativo. Existem encontros e desencontros improváveis. Embora ocorram situações com resultados que soem bastante falsos, desviando-se acentuadamente da realidade, o desempenho de Freddie Highmore é tocante, perfeito para as mensagens de amor, carinho, amizade e busca por suas raízes e caminhos. Já Keri Russell e Robin Willians cumprem razoavelmente bem os seus papeis, sem destaque no filme e, por conseguinte, nesta crítica.

 O Som do Coração foi indicado ao Oscar de Melhor Canção Original com Raise It Up, uma música emocionante e digna de veemente atenção, especialmente quando degustada na companhia de alguém querido. A direção de Kirsten Sheridan exclama sua competência para o cargo, sobretudo no concerto final. O roteiro é apinhado de dramas, por isso, decerto, quem o assisti está sujeito a debulhar-se em lágrimas.

Por fim é um filme simpático e interessante. É daqueles filmes para assistir na companhia das pessoas amadas e tirar boas lições de vida concernente a trajetória de Evan. Soa piegas? Mas se ausentarmos nossas máscaras de fortões por um momento, é fácil perceber que a vida é ridiculamente sentimental. 







Dedicado a Tiele da Rosa Gomes.

NOTA: 8

TRAILER:




Olhos Famintos

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