Crítica: Como Esquecer (2010)



 


Uma boa história é envolvente e sempre deve apresentar “três pontos” que é apresentação, o confronto e por final sua resolução. Alguns filmes invertem essa ordem como é o caso de Brilho Eterno de uma mente sem lembrança, Memento e Cidade de Deus. Mas a ordem do produto não inverte o valor! Certo? Errado!No caso do cinema que podemos classificar como uma “ciência” não exata o que pode interferir são vários fatores, como o roteiro, direção e produção técnica.

Mas porque chamei atenção sobre esse detalhe técnico? Bem uma boa história é sempre uma boa história. O que define ela para ser contada dentro do espaço narrativo proposto é o roteiro, o guia! Sem ele perdemos tudo que estava proposto. O filme de Malu de Martino apresenta em si uma boa história. Com uma trama interessante e “nova”.  O filme não consegue se levar e barra na própria atuação dos atores. 


A história conta como uma professora universitária termina seu relacionamento e tenta seguir em frente. Ana Paula Arósio interpreta Julia, seu personagem só não é pior do que sua interpretação limitada e também a empatia que ela não desenvolve bem, salvo suas cenas mais ousadas, que no caso pelo menos convence com a sua beleza. O caso é que ela não consegue passar em cena seu sofrimento, sabemos que teve um relacionamento com uma mulher que não é apresentado no filme, mas não sabemos o porquê do termino do relacionamento e ficamos perdidos em relação o que Julia está sentindo já que não temos uma identificação com a personagem.

O que o filme quer retratar mais é como as pessoas se sentem com o final de relacionamento. Murilo Rosa também está no filme e faz o amigo gay de Julia, a história dele é mais interessante já que se tem a morte do parceiro, e ele lida de uma forma mais “branda” do que Julia, que simplesmente se tem a rejeição de sua companheira. Os pontos de vista são diferentes, o que ela passa parece mais um sofrimento de uma adolescente que perdeu seu primeiro amor, do que uma mulher madura, e o fato de não ter uma identificação com a dor dela dificulta o desenvolvimento emocional com a história.  Com o aparecimento de Ligia (Arieta Correia) só dificulta ainda mais a linha emocional que tentávamos construir ao longo do filme, já que ela séria a “salvação” do limbo que Julia constrói, mas é uma coisa tão forçada que chega a ser ridículo. Outro ponto que é sofrível são os ângulos de câmera pouco trabalhados, a captação de áudio que está horrível, o filme parece mais um cinema universitário “pobre” com grandes nomes do que outro tipo de produção, de cinema nacional que temos por ai. Mas como disse o filme apresentou uma boa história com um roteiro ruim e uma direção péssima. Uma pena já que o elenco é muito bom, e sair dos clichês é legal, mas quando bem trabalhado, se não vamos ter mais de “Como esquecer” nos cinemas, alias esse filme vai ser difícil realmente de esquecer e pena que vai ser pelo lado negativo.


 



Nota: 4,0

Direção: Malu de Martino

Elenco: Ana Paula Arósio, Bianca Comparato, Natalia Lage e Murilo Rosa. 

Sinopse: Júlia (Ana Paula Arósio) é professora de literatura inglesa e não se conforma de ter sido abandonada por sua companheira Antônia depois de 10 anos de relacionamento. Agora, de mal com a vida, ela luta para enfrentar os fantasmas das recordações e para isso vai contar com o apoio do amigo Hugo (Murilo Rosa), um gay viúvo, com quem irá dividir um novo lar e tentar aprender que a vida segue em frente e os sentimentos perduram.


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João Trettel

Gosto de cinema desde criança. Passei a infância com os filmes da “Sessão da Tarde” e do “Cinema em Casa”. E também assistia o extinto “Cine-Trash”, quando conseguia escapar da minha mãe. Desenvolvi o gosto por vários filmes aos longos dos anos, amo filmes clássicos de todos os gêneros. Comecei a estudar cinema na faculdade e a desenvolver um gosto pela crítica cinematográfica. Hoje estudo história e sonho ser professor de história do cinema, assim unindo duas paixões minhas. Amo quadrinhos, livros e discos, no qual coleciono vários. Acredito que o cinema deva ser acessível a todos e também mais estudado.

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