Crítica: Livrai-nos do Mal (2014, de Scott Derrickson)








Houve um tempo em que um filme deste tipo seria incrível. Mas a verdade é que o terror envelheceu mal. A originalidade, a qualidade e a magia deste tipo de filme se foi. E juntamente foi-se a paciência do público, o medo de certas coisas e até mesmo algumas crenças. Assim, mesmo sendo o gênero que mais ganha filmes todo ano, a maioria tem naufragado em críticas e bilheterias. E após um 2013 como exceção, com vários sucessos e filmes de grande porte - ou pequeno porte mas caprichados e divertidos - 2014 volta a trazer uma maré ruim para o terror. É aí que entra Livrai-nos do Mal, que contrasta uma boa produção versus um roteiro ruim.


Clichê ao máximo, o filme não inova. Ele até tenta mas não consegue emplacar. O roteiro não é apenas sem brilho, como perdido em o quê pretende passar. O pessoal da edição do filme dormiu no ponto, fazendo uns cortes grotescos. Há um cena bizarra onde a câmera mostra a rua chuvosa e de repente, do nada, um carro surge andando. Um corte mau feito que "dói" nos olhos. Uma pena, pois 'Livrai-nos do Mal' até tinha um potencial. A trama supostamente baseada em investigações e vivências reais de um policial poderia atrair mais. A atuação dos protagonistas Eric Bana (o policial) e Édgar Ramírez (o padre) são muito boas. Bem mais convincentes do que a maioria neste tipo de filme. A produção não é das mais pobres. A fotografia da grande cidade, os becos e vias urbanas e a direção de arte de alguns lugares e ambientes são muito bem elaboradas. O filme tem um clima noir interessante.



É justo destacar também a direção de Scott Derrickson, que já nos trouxe o mediano A Entidade e o ótimo O Exorcismo de Emily Rose. Aqui mais uma vez ele mistura elementos que poderiam dar certo. Mas outros fatores do longa escorregaram e tiraram o potencial da obra. Mesmo que com momentos tensos, o final acaba apressadamente. Após terminar de ver, fiquei com a opinião de que não é totalmente descartável. A tentativa de misturar possessão com enredo policial é válida, mesmo que já usada no desconhecido e interessante O Exorcista 3 (que já não superou o original). As atuações estão boas, a direção também e há alguns bons momentos, seja numa perseguição ou em um lugar mais exótico, como em um zoológico. A fotografia é o ponto alto do filme, realmente boa e obscura. Mas o filme careceu gravemente de um bom roteiro. E nem vou falar novamente da péssima edição, Uma pena, agora resta esperar o lançamento de outros títulos neste final de ano para ver se o terror se salva.





Direção: Scott Derrickson


Elenco: Eric Bana, Édgar Ramírez, Olivia Munn, Sean Harris, Joel McHale, Dorian Missick, Antoinette LaVecchia, Scott Johnsen, Valentina Rendón.


Sinopse: o oficial da polícia de Nova Iorque Ralph Sarchie (Eric Bana), está lutando contra sérios assuntos pessoais quando começa a investigar uma série de crimes perturbadores e inexplicáveis. Ele se alia a um padre não-convencional (Edgar Ramírez), treinado em rituais de exorcismo, para combater as possessões demoníacas assustadoras que estão aterrorrizando a cidade. Inspirado no livro que detalha os apavorantes casos reais do policial Sarchie.

















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O Vigilante da Noite

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