Oscar 2015: Whiplash - Em Busca da Perfeição (de Damien Chazelle, indicado a 5 Oscar, incluindo Melhor Filme)


Há filmes para o grande público, carregados de efeitos especiais e ação. Podemos pegar por exemplo os filmes de super heróis atuais. E há aqueles filmes modestos e de conteúdo mais filosófico e reflexivo, muitas vezes visando o Oscar, como o atual Birdman. Mas em momentos raros e únicos do cinema, recebemos um filme com um tema simples, porém executado com uma maestria ímpar. Assim nascem clássicos cults. E Whiplash - Em Busca da Perfeição é um excelente cult moderno. Poucas vezes na vida vimos um filme executado de maneira tão incrível. A trama é aparentemente simples, um jovem querendo se tornar um grande baterista de uma banda de jazz, mas para isso terá que superar as expectativas do seu instrutor linha dura. Mas o filme acaba sendo muito mais do que isto.


Dentre os elogios que irei tecer, começo dizendo que a dupla de atores em cena é invejável, dando um banho na maioria dos filmes lançados no ano passado. Miles Teller tem a melhor atuação de sua jovem carreira, se tornando o garoto mais promissor em Hollywood atualmente. Seu protagonista consegue ser ambíguo, merecendo momentos de pena e outros não. Percebemos o avanço do perfeccionismo e da obsessão de Andrew, enquanto tenta provar a todos que merece o posto de baterista principal da banda. Como coadjuvante, temos o veterano J.K Simmons em seu mais importante papel no cinema. Não é atoa que ele vem ganhando prêmios e certamente irá ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Seu personagem é frio, forte e na maioria das vezes ficamos tensos, indignados e com medo de Terence.



Com o desenrolar da trama, o roteiro simples e enxuto nos surpreende com a ambiguidade destes dois personagens. Se um mostra o porquê de não desistir, mesmo diante de toda pressão psicológica por parte do mestre, nós também vemos os motivos do mestre fazer o que faz e usar estes métodos chocantes. O diretor Damien Chazelle cria um filme frenético, eletrizante da primeira à última cena. Ao longo de apenas uma hora e meia temos um filme completo, sem nunca deixar de ser ágil ou perder o ritmo alucinante. Poucas vezes no cinema pode-se ver um drama mais intenso que a maioria dos filmes de ação, terror e assim por diante. A câmera acompanha os instrumentos, o mestre e a banda de maneira magistral. As discussões são acaloradas, os momentos de Andrew com a garota que ele gosta e com seu pai são tocantes em instantes e amargos em outros. E o que dizer do final? Ah, que final! A última cena é de perder o fôlego.

Whiplash surge como um dos três melhores filmes lançados em todo ano de 2014. Merecidamente concorre a 5 Oscar: Melhor Filme, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Montagem e Mixagem de Som. Muito além disso, deverá ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para J.K. Simmons, que tem um desempenho monstruoso. Estarei na torcida do Oscar 2015. O filme questiona até onde se vai em busca da arte perfeita? Até onde se sacrifica pela perfeição? Um mestre deve humilhar, destruir psicologicamente e agredir fisicamente um aluno em razão de um melhor desempenho? Eis um filme não apenas para se assistir, mas para se sentir. Muito além do que um simples filme sobre música, é uma obra-prima incrível, para se reverenciar. Sinta a batida.



Direção: Damien Chazelle

Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist, Jayson Blair, Austin Stowell

Sinopse:
O solitário Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo na bateria. Após chamar a atenção do reverenciado e impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher (JK Simmons), Andrew entra para a orquestra principal do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos. Entretanto, a convivência com o abusivo maestro fará Andrew transformar seu sonho em obsessão, fazendo de tudo para chegar a um novo nível como músico, mesmo que isso coloque em risco seus relacionamentos com sua namorada e sua saúde física e mental.

Trailer:


O Vigilante da Noite

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