SHREK PERDIDO NUM DIA DE GEORGE BAILEY

No clássico A felicidade não se compra (It’s a wonderful life, 1946), de Frank Capra, o personagem George Bailey (James Stewart) — desesperado com a precariedade e os excessos de responsabilidade da vida que leva — tem a existência anulada pelas artes de um anjo de guarda atrapalhado. Por maquinação do birrento e vingativo duende Rumplestiltskin, algo parecido acontece com Shrek na sua quarta aventura cinematográfica. Shrek para sempre (Shrek forever after, 2010) é um salto de qualidade em termos de agilidade e criatividade se comparado ao arrastado e aborrecido Shrek terceiro (Shrek the third, 2007), de Chris Miller e Raman Hui. Por outro lado, é bom saber: nem só de comentários de filmes sisudos se alimenta este blog.


Título Original: Shrek forever after

Direção: Mike Mitchell

Produção: Teresa Cheng, Gina Shay

Distribuidora: DreamWorks Animation, Pacific Data Images

País/Ano:
EUA — 2010

Elenco: Vozes de: Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Julie Andrews, Jon Hamm, John Cleese, Craig Robinson, Walt Dohrn, Jane Lynch, Lake Bell, Kathy Griffin, Mary Kay Place, Kristen Schaal, Meredith Vieira, Ryan Seacrest, Cody Cameron, Larry King, Regis Philbin, Christopher Knights, Conrad Vernon, Aron Warner, Jasper Johannes Andrews, Ollie Mitchell, Miles Christopher Bakshi, Nina Zoe Bakshi, Billie Hayes, Jeremy Hollingworth, Brian Hopkins, Chris Miller, Mike Mitchell, James Ryan, Ashley Boettcher, Jill Sayre e os não creditados Danielle Soibelman, Frank Welker.

Nove anos depois de seu ruidoso e renovador lançamento, Shrek chega à quarta e, provavelmente, derradeira aventura no cinema. É o que se espera. Shrek para sempre ou Shrek forever after no original, também leva a denominação informal de The final chapter nos Estados Unidos. Mas do jeito que são as coisas na linha de montagem hollywoodiana, não deveremos nos assustar caso produtores oportunistas apelem para sobrevidas tipo “Shrek forever after again” ou “The final chapter: The adventure goes on”.

Em 2001, o flatulento, assustador, solitário e nada gentil ogro verde da Dreamworks ganhou seu primeiro filme. Shrek (Shrek), de Andrew Adamson e Vicky Jenson, inovava com comentários e observações carregadas de humor negro e duplo sentido. Disparava farpas contra o padrão de animação bem comportado consolidado pela Walt Disney Productions: o traço mais certinho e arredondado dos personagens, as tonalidades cor-de-rosa, o felizes para sempre, a sinfonia de pássaros, as canções otimistas, edificantes e onipresentes se tornaram motivo de saudável revisão e gozação. A produção caiu no agrado de crianças e adultos. O resultado: em 2002, ganhou o primeiro Oscar de Melhor Animação em Longa Metragem. A inevitável sequência viria em 2004: Shrek 2 (Shrek 2), de Andrew Adamson, Kelly Asbury e Conrad Vernon nada ficava a dever em termos de originalidade, humor e agilidade ao antecessor. Então, em 2007 veio Shrek terceiro (Shrek the third), de Chris Miller e Raman Hui. A perda de vigor criativo e narrativo foi impressionante. Deixou a certeza de que Shrek deveria ter encerrado suas aventuras no segundo filme. Porém, três anos após, surge Shrek para sempre. Surpreendentemente, é um salto de qualidade em agilidade e criatividade se comparado ao filme anterior. Apesar disso, deixa mais evidente a certeza de que Shrek está cansado em termos existenciais e cinematográficos. Deu o que tinha. Foi explorado à exaustão e pede para ser deixado em paz. Que o público fique com a lembrança e a disponibilidade dos dois primeiros filmes.

Leia mais em: http://cineugenio.blogspot.com/2013/04/shrek-perdido-num-dia-de-george-bailey.html



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