A FANTASIA CINEMATOGRÁFICA EM MOMENTO DE VIBRAÇÃO MAIOR


Filme de fantasia plenamente realizado é o atemporal O ladrão de Bagdá (The thief of Bagdad ‑ An Arabian fantasy, 1940), de Michael Powell, Tim Whelan, Ludwig Berger e outros não creditados. Passados tantos anos de sua realização, conserva vivo o poder de sedução. Suntuoso, abusa das possibilidades cromáticas do nascente Technicolor e da artesanal elaboração de efeitos especiais numa época distante das facilidades da computação gráfica. Ao contrário de alguns congêneres contemporâneos, não é prisioneiro da pirotecnia. Sua narrativa, pontuada de aspectos maravilhosos, fantásticos e hiperbólicos, respira livremente, apartada do peso do aparato produtivo e dos acessórios que a tornaram possível.

Título Original: The thief of Bagdad ‑ An Arabian fantasy

Direção: Michael Powell, Tim Whelan, Ludwig Berger, Alexander Korda (não creditado), Zoltan Korda (não creditado), William Cameron Menzies (não creditado)

Produção: Alexander Korda

Distribuidora:
London Films

País/Ano: Inglaterra — 1940

Elenco: Conrad Veidt, Sabu, June Duprez, John Justin, Rex Ingram, Miles Malleson, Mary Morris, Morton Selton, Bruce Winston, Hay Petrie, Adelaide Hall, Roy Emerton, Allan Jeayes e os não creditados Frederick Burtwell, Joseph Cozier, Henry Hallett, Glynis Johns, Alexander Laine, Cleo Laine, Sylvia Laine, Spoli Mills, Leslie Phillips, Norman Pierce, John Salew, Otto Wallen.

Esta livre adaptação de um dos temas de As 1001 Noites é exemplo da mais franca e desbragada fantasia, uma das melhores em seu gênero. Passado tanto tempo de sua realização, O ladrão de Bagdá mantém vivo seu poder de sedução. É o que se pode chamar de filme atemporal, o primeiro a receber os oscars de Melhor Direção de Arte em Cores e Melhor Direção de Fotografia Colorida. Todo o conjunto forma um épico suntuoso de cores brilhantes e berrantes, explorando todas as possibilidades do ainda recente Technicolor e posto ao serviço da reprodução de um mundo e de gentes somente admissíveis no mais livre dos imaginários. O roteiro de Miles Malleson cumpre o prometido na criação de uma dimensão impossível, dominada plenamente pelo irrealismo da magia. Assisti-lo é uma delícia! Para tanto é fundamental desatar todo e qualquer compromisso com a realidade, abrir mão do senso crítico e aceitar de pronto e de bom grado o convite para se perder no universo do faz de conta. Efeitos especiais elaboradíssimos para a época — possibilitados por ilusões fotográficas e trucagens à base de lentes, espelhos e artefatos mecânicos —, cenários arrojados e deslumbrantes —permitidos pelas artes da pintura matte —, backprojections e figurinos requintados transformam O ladrão de Bagdá num clássico do escapismo cinematográfico.

Ao contrário do que é comumente dito, esta versão de O ladrão de Bagdá não é refilmagem do seu magnífico homônimo de 1924, dirigido por Raoul Walsh e protagonizado por Douglas Fairbanks. As histórias contadas são em tudo diferentes. Se a realização de Walsh guarda maior fidelidade aos textos, por assim dizer, originais, a inglesa, de 1940, é um híbrido alimentado de várias contribuições extraídas de As 1001 Noites, compondo uma aventura em tudo singular e única. Nela, a Walt Disney Productions buscou elementos que a inspiraram na elaboração do feérico desenho animado Aladdin (1992), de John Musker e Ron Clements.

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http://cineugenio.blogspot.com/2013/06/a-fantasia-cinematografica-em-momento.html

J. E. Guimaraes

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