Crítica: 1408 (2007)


Se fizer uma lista dos 10 melhores filmes baseado na obra de Stephen King, com certeza 1408 estaria no meio. O filme foi baseado numa série de contos do autor. O livro Tudo é Eventual saiu em 1999. Onde temos outra excelente obra que também foi adaptada que é Montado na Bala. Mas 1408 é um pouco diferente das demais adaptações que King teve no cinema. E várias vezes o filme me lembrou O Iluminado de Stanley Kubrick. Não pela parte técnica ou de direção e sim pela atmosfera mística e aquele ar de revelar se tudo aquilo é real ou só um estranho pesadelo que vemos a partir do ponto de vista do protagonista.


O diretor Mikael Håfström que já tinha feito alguns filmes de horror no passado, nenhum que tenha tido grande destaque, conseguiu realizar um bom elenco e realizar uma ótima adaptação que mistura o medo e a paranóia num lugar só. O filme conta com nomes conhecidos como John Cusack e Samuel L. Jackson. Mike Eslin (Cusack) faz um escritor que escreve sobre hotéis mal assombrados e assim viaja pela America toda e faz certo sucesso com fãs de terror ou de hotelaria. Quando ele volta pra casa, recebe uma correspondência falando de um hotel em Nova York que é mal assombrado, ou melhor, um quarto. O misterioso quarto 1408. Tentando de todos os jeitos se hospedar lá, ele finalmente consegue mesmo enfrentado o gerente do hotel Gerald Olin (Jackson) que faz de tudo para Mike não se hospedar lá. E quando não tem mais recursos. Parece que o hotel tenta salvar sua alma do quarto.



Quando ele chega no temido quarto, lembramos bem dos livros de King onde ele esconde o terror e assim revela aos poucos o que o leitor ou espectador vai aguardar de cada cena ou leitura. E assim o mistério também começa. Quando o filme avança o relógio que se tem no quarto vira um cronometro. E assim Mike tem que sobreviver num jogo psicológico bizarro contra o próprio quarto que vai mostrar os piores medos do escritor. A trama consegue entrar nos fundos do irreal, principalmente quando entramos numa espécie de outra dimensão ou um purgatório. Realmente esse lance de não explicar deixa tudo confuso e assim não temos uma linha para onde seguir e sim é tudo jogado, o que na minha concepção é ótimo e cria uma ótima áurea para o filme. Os sustos são muito bem realizados e na hora certa. O irreal é magnífico. E realmente um excelente filme e uma ótima adaptação de Stephen King. Outro ponto fica pelo diretor de fotografia. O francês Benoît Delhomme consegue montar um cenário ótimo com as luzes artificiais do quarto e a mistura do ensolarado sol da cidade de Los Angeles.


Sinceramente os elogios a 1408 são enormes como a ótima referencia ao próprio universo de King, a excelente direção de Mikael Håfström e também a atuação de John Cusack é espetacular o sarcasmo e a ironia criada por ele e transporta para Mike Eslin é marcante e também muito bem elaborado que chega ao ponto em tudo. Um bom filme que merece ser respeitado ao lado de Iluminado do próprio Kubrick e Cemitério Maldito da diretora de filmes “trash” Mary Lambert. O filme vai surpreender todos e levantar uma velha questão da humanidade. Será que o inferno é aqui mesmo?


Direção: Mikael Håfström

Titulo Original: 1408

Ano/Pais: 2007, E.U.A

Elenco: John Cusack, Samuel L. Jackson, Mary McCormack, Jasmine Jessica Anthony, Tony Shalhoub


Trailer:

             

João Trettel

Gosto de cinema desde criança. Passei a infância com os filmes da “Sessão da Tarde” e do “Cinema em Casa”. E também assistia o extinto “Cine-Trash”, quando conseguia escapar da minha mãe. Desenvolvi o gosto por vários filmes aos longos dos anos, amo filmes clássicos de todos os gêneros. Comecei a estudar cinema na faculdade e a desenvolver um gosto pela crítica cinematográfica. Hoje estudo história e sonho ser professor de história do cinema, assim unindo duas paixões minhas. Amo quadrinhos, livros e discos, no qual coleciono vários. Acredito que o cinema deva ser acessível a todos e também mais estudado.

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