Crítica: Jurassic World (2015, de Colin Trevorrow)


Que Jurassic World daria bilheteria, todos nós e inclusive especialistas em cinema já sabiam. Mas que se tornaria este fenômeno mundial ... bem, pode-se dizer que é uma das grandes surpresas do ano. E talvez dos últimos anos. A verdade é que o filme põe novamente em evidência o velho estilo de diversão de Hollywood, além é claro de ressuscitar com louvor a paixão que muitos tem por estes míticos seres, os dinossauros. Tudo começou em 1990, quando o estúdio Universal e o diretor mestre Steven Spielberg compraram os direitos para fazer um filme baseado no livro de Michael Crichton antes mesmo deste livro ser lançado. Em 1993 nascia Jurassic Park, que se tornou naquele ano o filme de maior bilheteria da história do cinema, sendo também considerado o melhor filme de aventura já feito. Spielberg, que já tinha o posto de rei dos filmes de fantasia com seus Et - O Extrarrestre, Tubarão, Contatos Imediatos de Terceiro Grau e a trilogia Indiana Jones, fez com que seu Jurassic Park fosse um marco na sétima arte, nos efeitos especiais e em toda uma geração dos anos 90, no qual me incluo. Não o assisti no cinema na época, pois tinha apenas 2 anos, mas vagamente com meus 3 ou 4 anos me lembro dos comentários e reportagens na TV sobre o filme. Logo após pude assisti-lo em VHS e na TV diversas vezes, se tornando um marco na minha infância e uma das maiores influências para tornar-me o cinéfilo que sou hoje.

Com o imenso sucesso do primeiro filme e três Oscars ganhos (Melhor Som, Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Visuais), o segundo filme veio em 1997 também dirigido pelo Spielberg, fazendo menos barulho. O terceiro foi lançado em 2001, dirigido por Joe Johnston (de Capitão América: O Primeiro Vingador) e com produção de Spielberg. Fez mais dinheiro que o segundo, mas já não agradou tanto. A verdade é que as continuações não tiveram o impacto inovador do primeiro, além de ter dinossauros em computação gráfica bem menos realistas que os robóticos do primeiro filme. Mas como fã da saga e de dinossauros, sou suspeito para falar que também gosto das continuações, sendo divertidas e principalmente nostálgicas. Bem, acontece que a possibilidade de fazer um novo filme, além dos enigmáticos trailers, trouxeram críticas antes do longa ser lançado. Muitos vinham afirmando que poderia ser uma bomba e um dos fracassos do ano. Felizmente, estavam errados.



Jurassic World resgata o senso de aventura da trilogia. Produzido novamente pelo mestre Spielberg, o filme não falha em manter o velho estilo de diversão e aventura. E na verdade é a melhor continuação. Melhor que o segundo e o terceiro filmes, perdendo apenas para o impacto do primeiro. Inteligentemente o filme sabe que não conseguiria causar a mesma revolução que o filme de 1993. Então a saída foi homenagear o original de todas maneiras, uma continuação com a cara do primeiro, mas com os efeitos especiais de hoje. Comandando a festa temos o pouco conhecido Colin Trevorrow, que tinha no currículo apenas o desconhecido filme indie Sem Segurança Nenhuma, uma interessante mistura de ficção científica, comédia-dramática e romance. Eu conferi o filme na época do lançamento e foi bem bacana. O filme chamou a atenção dos "figurões" de Hollywood, o que garantiu Colin na direção desta superprodução. E embora o diretor não inove, consegue manter os clichês de maneira corretamente usados.

Embora não faça nada de espetacular no quesito direção, Trevorrow consegue manter a mão certeira até o final, tendo breves destaques principalmente nas ótimas cenas de ação e aventura. É um diretor promissor. O roteiro também não inova, mas tem o grande acerto de elogiar a trilogia inicial. Há diversas referências, O roteiro foi escrito pelo próprio Trevorrow, Derek Connolly (que também trabalhou com o diretor no roteiro de Sem Segurança Nenhuma), Rick Jaffa e Amanda Silver (estes dois últimos responsáveis por escrever o roteiro dos novos e ótimos Planeta dos Macacos). Eles fizeram questão de colocar elementos que lembrassem o original, como os jeeps, o binóculo, algumas instalações e salas. A própria cena final é recriada, porém com mudanças nos acontecimentos. Quem se arrepia até hoje com o primeiro filme com certeza se emocionará com as menções.



O roteiro aposta naquele estilo impossível das aventuras mais nostálgicas, com os protagonistas passando por situações impossíveis. E na verdade aqui há momentos ainda mais fantasiosos e cartunescos, mas que são trabalhados de uma maneira crível, dentro do possível na própria história da saga. Um destes momentos é a ligação do herói com os velociraptors, além da própria sequência de ação final. Interessante também a utilização de um pouco mais de mortes e sangue. Ao contrário da maioria das superproduções atuais, que aliviam ao máximo machucados e presença de sangue para que a censura seja baixa e o filme dê mais bilheteria, neste ano Mad Max e Jurassic World foram contra esta tendência lucrativa. Os filmes continuam familiares, principalmente este aqui, que ainda é uma aventura leve. Mas são animais carnívoros matando pessoas, e a equipe de produção consegue manter algumas cenas mais tensas, como quando sangue jorra na parece, mas sem perder o foco da diversão.

Os efeitos especiais estão ótimos. Claro que ainda prefiro os dinossauros animatrônicos do primeiro. Eram tão reais e nostálgicos. Mas aqui há alguns momentos em que também se usa seres robóticos. Quando os vemos, é impossível não darmos preferências a eles. Mas devo dar o braço a torcer e dizer que os seres criados em computação gráficas são fantásticos, os mais bem feitos e com melhor texturas de pele e cores até agora. Foi realmente um trabalho cuidadoso para nos mostrar seres realmente vivos. O 3D é razoavelmente bom, com algumas boas cenas de bicos, asas, garras e dentes fora da tela e mais próximos da gente, nos injetando adrenalina.

No elenco, destacamos Chris Pratt, o novo queridinho da América, a "batata mais quente" de Hollywood na atualidade. Após roubar a cena em 2014 como o herói Star Lord (Senhor das Estrelas) no excelente sucesso Guardiões da Galáxia, da Marvel, de novo Pratt rouba a cena. Seu herói é do estilo canastrão, durão e um pouco machista. Mas seu protagonista é bom, salva quem tem que salvar, incluindo os dinossauros, pelo qual tem imenso respeito e ligação. A bela ruiva Bryce Dallas Howard também atua bem, indo de viciada em trabalho para heroína feminina. Reforçando a forte onda feminista no cinema, a atriz corre, atira e pula de salto alto o filme inteiro. A química entre Chris e Bryce é divertida, contrastando o machão e a profissional. Entre os dois garotos, Ty Simpkins (o mais novo) é o mais carismático. Já Nick Robinson (o mais velho) tem um desempenho apenas ok, sendo um pouco chato às vezes.



Depois de Círculo de Fogo ressuscitar os filmes de monstros gigantes em 2013 e o novo Godzilla fazer sucesso em 2014, Jurassic World confirma que estes seres fantásticos continuam com força dentro do cinema de fantasia. O final, inclusive tem um momento que lembra o final de Godzilla, mostrando quem é o rei na parada toda. Assista e entenderá. Jurassic World tem diversos momentos de pequenas surpresas. A primeira hora é a apresentação do parque, um lugar que toda criança (e adultos também) gostariam de ir, mágico e único. O parque é bastante futurista, como no livro. A segunda hora é de ação intensa, mortes apavorantes e correria por toda parte. Mostra-se o perigo do homem querer brincar de Deus, este que é aliás o assunto central do livro e da saga. Na tentativa capitalista de impressionar, criam um dinossauro modificado geneticamente, inteligente e assassino, que põe desequilíbrio na natureza do parque. Há também o plano de se usar dinossauros na guerra. Estas ideias deturpadas acarretam consequências desastrosas. Não se pode controlar a natureza. A solução acaba sendo a união de humanos e dinossauros, em um final incrível.

Jurassic World teve a maior abertura de um fim de semana na história, derrubando gigantes como Vingadores e Avatar. O sucesso é merecido. É a velha escola de volta. E o mundo estava mesmo com saudades destes seres pré-históricos. O filme traz ótimas cenas de ação e efeitos visuais, revisita o primeiro filme e nos enche de nostalgia. A trilha sonora do mestre John Williams, recomposta pelo competente Michael Giacchino continua melodicamente emocionante. Ao final, com o rei T-Rex botando respeito, ficamos felizes de estar de novo vivenciando a mágica da recriação destes fantásticos seres. Aguardamos ansiosos as continuações que deverão vir. Até lá já ficaremos felizes em rever este ótimo filme, que ainda perde para o primeiro, que sempre será um clássico. Mas é a melhor das continuações, daquelas que vale pela bela homenagem tanto ao filme de 1993 quanto a estes répteis. O filme faz qualquer criança interior lembrar de quão mágicos são os dinossauros.

Direção: Colin Trevorrow

Elenco: Chris Pratt, Judy Greer, Bryce Dallas Howard, Jake Johnson, Vincent D’Onofrio, Lauren Lapkus, Nick Robinson, Omar Sy, Irrfan Khan, Nick Robinson, Rob Fuller, Brian Tee, Ty Simpkins.

Sinopse: o Jurassic Park, localizado na ilha Nublar, enfim está aberto ao público. Com isso, as pessoas podem conferir shows acrobáticos com dinossauros e até mesmo fazer passeios bem perto deles, já que agora estão domesticados. Entretanto, a equipe chefiada pela doutora Claire (Bryce Dallas Howard) passa a fazer experiências genéticas com estes seres, de forma a criar novas espécies. No entanto, uma delas logo adquire inteligência bem mais alta e se torna uma grande ameaça para a existência humana.

Trailer:


Escute a emocionante trilha sonora:

O Vigilante da Noite

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