Crítica: O Agente da U.N.C.L.E. (2015, DE Guy Ritchie)


Definitivamente, 2015 foi um bom ano para filmes de espionagem. Tivemos A Espiã Que Sabia de Menos e Kingsman - Serviço Secreto, longas que satirizaram e homenagearam o subgênero ao mesmo tempo. Tivemos 007 Contra Spectre e Missão Impossível 5 - Nação Secreta, novos capítulos de sagas clássicas. E tivemos este menos conhecido O Agente da U.N.C.L.E., baseado numa série televisiva de mesmo nome da década de 1960. O filme foi o único dos cinco longas de espionagem citados acima que fracassou em bilheteria, mesmo tendo uma aprovação de 70% da maior parte dos meios de críticas especializadas. Este fracasso comercial possivelmente deve-se ao fato do diretor Guy Ritchie (diretor dos novos Sherlock Homes e ex-marido da Madonna) ter um estilo visual e narrativo muito próprio.

Se por um lado os filmes de Ritchie parecem vazios, na verdade é na sua construção visual que ele cria elementos chave, tornando o filme atraente. Aqui, por exemplo, os enquadramentos de câmera diferenciados, os figurinos e penteados de época perfeitos, o jogo de paleta de cores vibrantes, a câmera lenta em alguns momentos, o excesso de charme das personagens e das paisagens e ambientes, tudo funciona para o andamento da trama, como se estes elementos fossem personagens do longa.



A embalada trilha sonora também é um ponto a mais. Canções da época (anos 60), sendo algumas remixadas fazem o filme ser uma balada visual retrô. As cenas de ação, embora nunca sufocantes, são bem orquestradas, de maneira leve e mais uma vez, estilosa. A trilha sonora de época e romantizada dá um tom engraçado e irônico nas cenas de ação.

Henry Cavill (o novo Superman) é uma versão americana de James Bond, em um papel charmoso. Já Armie Hammer (de O Cavaleiro Solitário) é uma versão mais enfurecida e ambígua, tipicamente russa. A bela Alicia Vikander (uma das novas atrizes em destaque ultimamente) completa o trio principal, sendo em alguns momentos doce e em outros surpreendente. E é neste trio de protagonistas que o filme se sustenta, sendo outro ponto bem positivo. O trio tem química em cena, tornando a brincadeira bem mais divertida e crível. Elizabeth Debicki é a bela vilã, que apesar de não ser muito bem explorada, cumpre bem seu papel.

O Agente da U.N.C.L.E. não merece o fracasso que recebeu. É um filme que pode não ser muito profundo. Mas tece uma bela homenagem a série original, aos antigos 007 da era de Sean Connery e a todos produtos da era da espionagem dos anos 60. Produtos estes que podem ter seus clichês, às vezes um pouquinho de machismo e caricaturas. Mas que tem seu lugar dentro da TV e principalmente do cinema. E este filme revive um pouco isso, cheio de trilha sonora bacana, charme, estilo e um visual excelente. Boa pedida para os cinéfilos mais nostálgicos.

Direção: Guy Ritchie

Elenco:
Henry Cavill, Hugh Grant, Armie Hammer, Alicia Vikander, Elizabeth Debicki, Jared Harris, David Beckham, Christian Berkel, Guy Potter, Joana Metrass, Christopher Sciueref.

Sinopse: tendo como pano de fundo o início dos anos 1960, em pleno auge da Guerra Fria, The Man from U.N.C.L.E. é centrado no agente Solo, da CIA, e no agente Kuryakin, da KGB. Forçados a deixar de lado as hostilidades de longa data, os dois se unem em uma missão para combater uma misteriosa organização criminosa internacional, empenhada em desestabilizar o frágil equilíbrio de poder através da proliferação de armas e tecnologias nucleares. A única pista da dupla é a filha de um cientista alemão desaparecido, que é a chave para se infiltrarem na organização criminosa. Eles precisam correr contra o tempo para encontrá-lo e evitar uma catástrofe mundial.

Trailer:

O Vigilante da Noite

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