Crítica: Cloverfield - Monstro (2008, de Matt Reeves)




No início de 2008 um filme com projeto misterioso chegava chamando a atenção. 'Cloverfield - Monstro' custo "apenas" 25 milhões e arrecadou muito dinheiro, se tornando um blockbuster de sucesso e trazendo de volta filmes de monstros gigantes. Também fez parte da retomada dos found footage, filmes de mistério e terror por trás das câmeras como falsos documentários e fitas perdidas. Depois de alguns filmes italianos dos anos 80 e 'A Bruxa de Blair' em 1999, este estilo ressuscitou nas mãos do filme 'Diário dos Mortos', do primeiro 'R.E.C.', do primeiro 'Atividade Paranormal' e deste 'Cloverfield' aqui. Desde então o estilo se desgastou em um excesso de produções que os copiaram. Porém os primeiros são os melhores e este filme aqui não foge da regra.


Engenhosamente, a película traz os eventos ocorridos durante uma noite, onde um grupo de amigos que estava em uma festa de despedida precisa atravessar as ruas de New York fugindo de toda destruição que o gigantesco ser causa, enquanto presenciam o exército tentando derrotá-lo. O filme ganha pontos por ser bem curto e dinâmico. Quando o caos começa, não para até seu desfecho. Apesar das imagens trêmulas não mostrarem bem o que ocorre, é justamente isso que causa um desconforto e te deixa tenso. Tudo em volta da criatura é um mistério: não sabemos o que é, de onde veio e o que está acontecendo. Só sabemos que pessoas estão morrendo e os protagonistas precisam sair logo dali. Isto faz-nos importar com eles.


Os efeitos especiais são ótimos para um filme não tão caro. Usar a imagem trêmula da filmadora na verdade permite que não percebamos possíveis defeitos visuais. Com toda aquela correria tais defeitos seriam imperceptíveis e está aí outro mérito do filme: parecer mais grandioso do que realmente é, uma jogada de mestre do diretor  Matt Reeves. Matt é um bom cineasta que também já nos presenteou com os ótimos 'Deixe-me Entrar' e 'Planeta dos Macacos: O Confronto'. O cara é um aprendiz de J.J. Abrams, o diretor nerd n° 1 da atualidade. Abrams já nos presenteou com 'Missão Impossível 3', 'Super 8', os novos 'Star Trek' e o novo 'Star Wars: O Despertar da Força'. Em 'Cloverfield' ele atua na produção e na ideia original, deixando seu pupilo comandar a orquestra. Mas é ele que está por trás da origem e fazendo inclusive ligações e easter eggs com seus filmes. Na mente de Abrams tudo está interligado e existem a partir daí diversas teorias da conspiração envolvendo seus filmes, inclusive com o alienígena de 'Super 8' e marketings virais que parecem verdade. Só para se ter uma ideia existe ligações até  com a complexa série 'Lost' e há segredos envolvendo uma marca de bebidas chamada Slusho, no qual tem até site. Olha aqui: http://www.slusho.jp/

O longa realmente foi um marco naquele ano, é eletrizante e causa sufoco em alguns momentos. Tem cenas marcantes como a dos seres pequenos atacando no metrô às escuras e na cena da cabeça da Estátua da Liberdade rolando. É uma produção inteligente, que brinca com alguns clichês ao mesmo tempo que traz frescor ao estilo. Muito bem elaborado e conduzido, numa mistura de terror, suspense e ficção científica, a produção mescla elementos de filmes clássicos como 'Guerra dos Mundos' e 'Godzilla', mas com uma pegada de 'A Bruxa de Blair'. Oito anos depois, agora no início de 2016 é lançada a "esperada e inesperada" continuação, também elaborada em segredo. Como assim? Esta será minha próxima crítica.

NOTA:8,5


Direção: Matt Reeves

Elenco: Michael Stahl-David, T. J. Miller, Jessica Lucas, Odette Yustman, Lizzy Caplan, Mike Voge.

Sinopse: Rob Hawkins (Michael Stahl-David) mora em Nova York e está prestes a se mudar para o Japão. Ele reúne os amigos em uma festa de despedida, na qual pretende revelar sentimentos mal-resolvidos. Entretanto um forte solavanco assusta os convidados. Todos buscam notícias sobre o ocorrido na TV, que diz que a cidade sofreu um terremoto. Ao chegar ao terraço para ver os estragos o grupo nota uma bola de fogo gigante, seguida pela queda de luz na cidade. O pânico toma conta de todos, o que aumenta ainda mais quando eles enfim conseguem chegar à rua.

Trailer:











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