Um Conto Chinês (2011, de Sebastián Borensztein)

 


‘Um conto chinês’ é uma comédia dramática inspirada em uma história real (por mais absurdo que possa parecer!) que conta a história de dois homens: um argentino mal humorado, ranzinza e desesperançoso, que tem uma pequena loja de ferramentas em Buenos Aires, e um chinês que aparece misteriosamente na sua vida sem falar uma palavra de seu idioma. Ao longo do filme, os personagens vão se revelando e entendemos as razões por trás desse encontro inusitado.

Os dois personagens principais são bem desenvolvidos, e vemos que, apesar da comunicação entre os dois ser quase impossível, eles acabam criando laços que impactam profundamente em suas vidas.



O filme tem um humor agradável, que não torna a história fútil. Pelo contrário, acredito que as situações quase absurdas que os dois personagens vivem acabam sendo um tempero para a história. É um filme que faz rir sem abrir mão das reflexões mais profundas.

Particularmente falando sobre Roberto (Ricardo Darín), o filme acerta ao mostrar inicialmente uma figura quase caricata, extremamente apática perante a vida e aos poucos ir demonstrando a verdadeira história do personagem. É interessante ver como a convivência quase forçada com uma pessoa com a qual ele não consegue se comunicar acaba trazendo a tona muitas questões mal resolvidas na sua vida. Apesar de toda imagem de antissocial, Roberto não consegue deixar o chinês abandonado a própria sorte, e isso além de render cenas engraçadas, também traz humanidade ao personagem. Acredito que esse filme retrata cenas da vida real, onde quase todos nós conhecemos pessoas no mesmo estereótipo de ranzinza e mal humorado de Roberto. Cabe aqui uma reflexão: será que por trás dessas máscaras não há personagens tão interessantes quanto ele? Tenho certeza que sim.

Outra questão importante: além da diferença de linguagem, os dois personagens principais tem uma visão da vida e dos seus acontecimentos totalmente diferente. Roberto é um homem que acredita que tudo é aleatório, não merecendo grande esforço na compreensão de acontecimentos, inclusive colecionando reportagens de jornal absurdas com uma prova para tal opinião. Já para Huang (o chinês, vivido por Ignacio Huang), tudo na vida tem um porquê. Apesar de todas as diferenças, os dois trazem consigo dores oriundas de passados trágicos, que acabam influenciando seus comportamentos presentes. E o filme consegue trazer a tona essas histórias tristes sem acabar sendo um drama pesado. Esse, em minha opinião, é o ponto forte do filme.

O encontro dos dois reflete muitos encontros que temos em nossas vidas, por vezes com pessoas que são muito diferentes de nós, que podem precisar da nossa ajuda ou das quais nós precisamos em algum momento. Consequentemente, como lidar com esses encontros? Como lidar com as consequências provocadas por esses encontros? E, não se engane, apesar de todas essas interpretações quase filosóficas, o filme não é monótono e trata de tudo isso de uma maneira leve. Indico o filme como uma ótima opção para sair do óbvio do filme cult pesado ou a comédia “pastelão”. Rende bons momentos de riso e também de emoção.

NOTA: 8

Direção: Sebastián Borensztein

Elenco: Ricardo Darín, Ignacio Huang, Muriel Santa Ana


Sinopse: O filme argentino ‘Um conto chinês’ conta a história de Roberto (Ricardo Darín), um homem recluso e mal humorado. Ele leva a vida cuidando de uma pequena loja e tem o hobbie de colecionar notícias incomuns. A comodidade de sua vida é interrompida quando ele encontra um chinês (Ignacio Huang) que não fala uma palavra de espanhol. O imigrante acabara de ser assaltado e não tem lugar para ficar em Buenos Aires. Inicialmente relutante, Roberto acaba deixando o asiático viver com ele e aos poucos vai descobrindo fatos sobre o chinês.  

Trailer: 

 Algumas imagens do filme:





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Erica Caetano Roos

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