Crítica: Confia em Mim (2014, de Michel Tikhomiroff)


Os filmes nacionais são complicados. Desde produções admissíveis até lixos descartáveis, é interessante como o nosso cinema tem tentado há tempos conseguir trilhar o mesmo caminho que Hollywood faz. Comparado com seus infinitos filmes que não param de sair um atrás do outro e dos mais diversos gêneros, o pensamento dos atores brasileiros deve ser o seguinte: "Se um ator americano pode fazer, por que eu não poderia?". Baseado nisto, volta e meia alguns casos provam que podem dar a volta por cima e mudar essa desventura.



Em 'Confia em Mim', somos apresentados a Mari (Fernanda Machado), mulher promissora que tem um sonho: abrir seu próprio restaurante, tarefa que não é nem um pouco fácil, visto que para isso ela trabalha duro como chefe de cozinha, focando sempre em seu futuro profissional. Com amigos cujos quais pode sempre contar, Mari tem uma vida particularmente boa... por enquanto.



Ao conhecer Caio (Mateus Solano), sujeito simpático e aparentemente "bom demais pra ser verdade", Mari vê a chance de, com ele, realizar seu tão esperado objetivo, o que não a poderia deixar mais feliz, visto que pensa que conheceu o homem dos seus sonhos. As atuações aqui foram o destaque principal, além da trama é claro, Fernanda Machado e Mateus Solano (que já atuaram juntos como primos em 'Amor À Vida') têm um química que ao meu ver, deu certo, os dois se entrosaram bem interpretando seus personagens. A escolha do diretor em escalar estes dois atores foi justa, não imagino quem mais poderia atuar tão bem na pele de uma inocente sonhadora e um astuto vigarista.



Como se não bastasse a sua esperteza, ele a conquista da noite pro dia com seu charme, também promete dar o início o mais rápido possível as obras do seu restaurante. É aí que após cometer um dos maiores erros de sua vida, entregando uma quantia absurda de dinheiro nas mãos dele, ela se vê diante de um colapso, pois ele não é quem diz ser e seu sonho foi arruinado. A partir daí, o suspense reina e o espectador fica mais ligado pra querer acompanhar o filme até o final. O clima tenso está presente em várias cenas, principalmente quando Mari não sabe mais o que fazer e decide dar o troco em Caio. Você fica na torcida nesse jogo entre gato e rato, onde um pensa que o outro não sabe de tal coisa, quando na verdade sabe; é o velho clichê visto inúmeras vezes em demais filmes, recorda-se?



Ao mesmo tempo em que a estava enganando, Caio já havia aplicado vários golpes contra outras mulheres, seduzindo-as da mesma forma e se safando igual. O resto dos personagens, Teresa (Fernanda D'Umbra), Vicente (Bruno Giordano) e Paula (Patrícia Pichamone), possuem importante relevância e mandam bem como coadjuvantes, caso contrário, se o filme focasse mais em aparecer somente os 2 personagens principais não daria, né? Quanto a sua duração ele é raso, não dura nem 1 hora e meia, então pode ver ele sossegado. Claro, não precisa levantar toda aquela expectativa, mas confira sem medo, vale a pena. Por fim, o que pude perceber nesse filme é que ele possui o diferencial que muitas outras bombas não tiveram, pois não é apelativo no sexo e não tem sequer um palavrão! (pelo menos não aquele palavrão explícito). Quer coisa mais rara que isso hoje em dia em filme brasileiro? Acho que não.



Nota: 8

Direção: Michel Tikhomiroff

Elenco: Fernanda Machado, Mateus Solano, Antonio Saboia, Bruno Giordano, Fernanda D'Umbra, José Geraldo Rodrigues, Patricia Pichamone.

Sinopse: Mari tem um grande sonho: abrir seu próprio restaurante. Para tanto ela trabalha duro como chefe de cozinha, sempre focando a ascensão profissional. Até que um dia ela conhece Caio, um cara simpático que permite que ela enfim realize seu sonho. Só que logo Mari percebe que nem tudo é tão simples assim.


Trailer:
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Eduardo Ben

Sou um jovem que curte bastante cinema, inglês, ler e jogar de vez em quando.

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