Crítica: Road Games (2016, de Abner Pastoll)





De tempos em tempos o cinema francês nos presenteia com um bom suspense ou terror. Agora em 2016 a França nos entrega este 'Road Games', que infelizmente está passando batido da grande maioria e os poucos que se aventuram a ver o filme não estão prestigiando o trabalho. De cara já vou logo falando que não é um terror extremo como outras polêmicas obras francesas, filmes como 'Martyrs' ou 'A Fronteira'. Este aqui é uma produção levemente diferenciada, apostando mais em um thriller de suspense lento e construindo as personagens. O filme funciona como uma espécie de 'A Morte Pede Carona' misturado com 'A Visita'. 

Algo muito bacana no longa é a utilização das paisagens e das estradas, com um acompanhamento de câmera lento e que privilegia as belas fotografias. O filme possui uma paleta de cores quentes, com uma lente amarelada ou alaranjada para passar a sensação de calor. Isto contrasta com as atitudes misteriosas e ambíguas das personagens, cujas motivações vão sendo reveladas aos poucos. Esta lentidão na construção da história e desenvolvimento das personagens não apenas dão um ar cult ao longa, como também faz-nos importar com os protagonistas e cria um clima crescente de tensão.


Os jovens protagonistas estão de parabéns. Andrew Simpson interpreta bem um jovem inglês mochileiro. Seu personagem aos poucos é bem desenvolvido. Mas o filme é mesmo dela. A belíssima francesa Joséphine de La Baume carrega o filme nas costas. A moça entrega um leque de interpretações. Primeiramente ela atrai com sua beleza e sensualidade. Mas seus dramas pessoais e estilo misterioso também chama a atenção. Pelo final do filme, ela carrega força de combate. E depois, bem no final temos uma bela reviravolta. Os idosos Barbara Crampton e Frédéric Pierrot entregam grandes atuações coadjuvantes, com momentos assustadores e outros de dar pena. Dois veteranos em cena dando um show.


O diretor Abner Pastoll é um nome a se ficar de olho. De maneira calma ele entrega um filme belo visualmente, levemente sexy mas sem apelar muito e com uma boa virada na história. Pode-se fazer algumas interpretações se ligarmos a primeira cena com a última cena. E a câmera do diretor sempre bem colocada e centralizada entrega alguns enquadramentos bonitos de se ver, seja no interior da casa ou em um campo.

Para ser melhor ou mais marcante talvez tenha faltado um final mais forte e provocante, algo mais aterrorizante. Mas como suspense funciona bem, ainda mais quando se trabalha de maneira mais implícita e interpretativa. Não deixa de ser uma produção rapidamente contemplativa. Uma produção bela, bem atuada e com uma diferente trilha sonora, muito bem executada e que lembra alguns filmes antigos. Não é para chocar, mas se apresenta um elegante thriller francês. 

NOTA: 8




Título Original: Road Games

Direção: Abner Pastoll

Elenco: Andrew Simpson, Joséphine de La Baume, April Kelley, Barbara Crampton, Clémentine Alexandre, Edward Hogg, Erwan Hiernard, Féodor Atkine, Frédéric Pierrot, Lucie Belhomme, Pierre Boulanger (I), Susanna Cappellaro.


Sinopse: depois de uma viagem de verão desastrosa, Jack (Andrew Simpson) se encontra pedindo carona em uma ensolarada estrada rural francesa com apenas seu passaporte britânico. Sem saber dos perigos que estão assolando as estradas do local, ele tenta sem muito sucesso chegar em casa. Durante suas tentativas, ele acaba conhecendo Véronique (Joséphine de La Baume), que também está tentando conseguir uma carona, mas, quando eles acabam entrando no carro de um morador, a dupla cai em um jogo mortal de gato e rato em que nada é o que parece.


Trailer: 












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