Crítica: Estocolmo (2013, de Rodrigo Sorogoyen)


‘Estocolmo’ é um drama independente europeu escrito e dirigido por Rodrigo Sorogoyen. No entanto, não se deixe levar pelo título: o filme acontece única e completamente e na bela capital espanhola de Madrid e a trama é inteiramente centrada entre dois personagens principais, os jovens adultos “ele” e “ela”.
“Ele” (Javier Pereira) é um típico conquistador que utiliza do seu charme natural para cativar as mulheres por quem se interessa. Já “ela” (Aura Garrido), é uma tímida e geniosa garota que carrega consigo várias inseguranças e problemas sutilmente abordados durante a longa. Os dois se conhecem em uma boate, onde “ele” faz de tudo para que “ela” aceite conhecê-lo melhor. De tudo mesmo, inclusive dar a ela, no primeiro momento em que são apresentados, a chave de seu apartamento – “proposta indecente” a qual ela rejeitou.

Certamente, o personagem masculino não está disposto a aceitar a suposta rejeição e passa a seguir a garota na saída da festa, mesmo após “ela” incansavelmente o pedir que a deixe em paz. Ignorando completamente o fato de que “ela” não queria a sua presença, “ele” inconvenientemente continua a perseguir a mulher por todo (todo!) o trajeto. As cenas correspondentes à esse momento retratam um problema bastante levantado, sobretudo por mulheres, na atualidade: por que é tão difícil aceitar que um “não” realmente significa “não”.
Percebendo que não haveria chances, “ele” parte para uma estratégia deveras maldosa, ainda que bem conhecida: as falsas juras e promessas de amor. Por meio de longas conversas, romantismo barato e até provas de amor – a pedido dela, o rapaz topa sair pelas ruas nu e gritando que a ama como prova de seu verdadeiro interesse – o personagem consegue convencê-la a passar a noite em seu apartamento, uma vez que estava “incontrolavelmente apaixonado”.


A manhã seguinte, todavia, destrói todas as expectativas criadas por “ela”. “Ele” já não está tão doce, tão romântico, tão interessado e tão apaixonado por “ela” como jurou estar antes de conseguir o que queria e, inclusive, demanda que “ela” deixe o apartamento. A partir desse momento, fica claro qual era real interesse do rapaz. Qualquer insistência da parte dela em ficar mais um pouco o faz perder a paciência. Dessa maneira, podemos refletir ainda mais sobre uma realidade comum e até sexista dos rápidos relacionamentos contemporâneos: por que o homem tende a achar aceitável insistir e forçar a barra com uma mulher para conseguir o que quer, mas não aceita quando a mulher faz o mesmo? Quando o personagem foi insistente e bastante inconveniente em todos os momentos até conseguir o que queria, estava tudo bem. Quando ela faz o mesmo ao se recusar a deixar o apartamento, foi ofendida e até mesmo agredida fisicamente.



Nesse ritmo, a trama tem a missão de focar nas conversas, discussões e acontecimentos após a fatídica primeira noite do "casal". Não espere mais do que isso. Contudo, apesar do lento desenrolar entre o início e o desfecho – por vezes, parece que não há história suficiente para preencher a idéia principal do roteiro – o filme é capaz de proporcionar à quem o assiste várias outras reflexões, sobretudo acerca de relacionamentos interpessoais e amorosos. No entanto, é indispensável afirmar que ‘Estocolmo’ ficaria melhor e mais objetivo como um curta metragem: a ausência de aprofundamento com relação aos únicos personagens e a quantidade de cenas vazias e que nada acrescentam à trama não justifica o tempo de duração. Ainda assim, o tema interessante e final deveras inusitado fazem por valer o filme.



 Nota: 7,5

Título original: Stockholm

Direção: Rodrigo Sorogoyen

Elenco: Javier Pereira, Aura Garrido

Sinopse: Após uma festa, um jovem rapaz tenta fazer com que uma das garotas que conheceu goste dele. Ela se nega, mas ele parece não estar disposto a desistir tão fácil assim.


Trailer: 


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Mariana Portela

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