Crítica: Casa de Jogos (2008, de Lori Petty) - A estreia de Jennifer Lawrence.



Filmes de baixo orçamento, geralmente, passam em branco por aqueles que não sofrem da famigerada cinefilia. Este, senhores, acreditem, merece (ou deveria) um carinho a mais de nossa parte, os cinéfilos. ‘The Poker House’ ('A Casa de Pôquer', em bom português) marca um momento histórico! Sim, esta é só a estreia da atual queridinha de Hollywood, a atriz mais lucrativa do mundo, Jennifer Lawrence. Porém, por incrível que pareça, a primeira atuação da protagonista de ‘Jogos Vorazes’, a Mística dos últimos três filmes da franquia ‘X-Men’, não é o principal trunfo do filme, que dura céleres 1h 33m muito importantes para quem curte filmes independentes. 

 A equipe responsável pelo longa é toda composta por estreantes em suas respectivas funções; pouco conhecidos mesmo, como a norte-americana Lori Petty. Lori, que fez relevantes participações em algumas séries televisivas, e filmes não tão populares, dirige e roteiriza (em parceria com David Alan Grier) esse projeto bem especial para ela. A história de Agnes, a protagonista, foi baseada no momento mais sombrio da vida real de Petty. Produzido por Stephen J. Cannell e Michael Dubelko, o filme foi distribuído pela Phase 43 Films em setembro de 2008, não sei precisamente o dia, mas foi próximo ao do Festival de Filmes de Los Angeles, onde Lawrence levou o prêmio de Melhor Atriz Promissora por sua atuação icônica, meses depois foi lançado em DVD. 

                      

 O filme nos apresenta Agnes, uma adolescente estudiosa e aspirante à jogadora de basquete profissional, que bruscamente precisa exercer o papel de mãe das duas irmãs mais novas quando sua mãe, Sarah, sucumbe ainda mais nas drogas e na prostituição. Isso se dá, também, pelo fato de que moram na casa de jogos ilícitos mais movimentada do bairro. A jovem tenta conciliar isso com importantes competições e treinos de basquete que participa dedicadamente durante a noite. O enredo relata apenas um dia dessa vida triste que as três garotas tão jovens levam, mas que resume muito bem o sofrimento que é.  



 Chloë Grace Moretz, com seus 12 a 13 anos, está uma graça como Cammie, a irmã mais nova. Destaque para a cena em que sua personagem discute com Stymie (palhinha do David Alan Grier), um senhor que frequenta o bar local assiduamente, a respeito de peixes dourados e professoras. Sophi Bairley está incrível como a astuta Bee, que adora tocar saxofone quando não está entregando jornais. Procurei mais filmes dela, e descobri que ela se tornou cantora e que esse foi seu primeiro e único projeto até agora. Selma Blair é a única decepção na trupe, com sua atuação forçadamente caricata de mãe super desnaturada das meninas, suas expressões são tão plásticas que incomodam. Temos, então, Bokeem Woodbine como Duval, o cafetão, o único que realmente lucra com a renda dos negócios na casa de jogos. Ele já tinha mostrado talento em ‘Ray’ de 2002, e atua muito bem explorando a arrogância e canalhice de seu personagem asqueroso, e sua voz rouca intimidadora. Por fim, a menina Lawrence. É incrível a capacidade dramática das expressões que ela cria, faz você sentir as angustias e crenças da Agnes a respeito de todas aquelas situações que se desdobram perante seus olhos inocentes; não é a interpretação mais sofrida dela, isso irá ocorrer em 2011 com ‘Inverno da Alma’ (beijos, Ree), sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz; mas certamente está entre as melhores de sua carreira até o momento. Aliás, sou bem suspeita em falar dela, afinal, sou fã há anos e, a meu ver, é uma das melhores atrizes que surgiram nos últimos sete anos. 

                         

                        

 A fotografia tem aquele tom melancólico indie que eu adoro, e casa bem com o estado de espírito de Agnes e Bee, principalmente quando deixam, um pouco, de lado as tribulações diárias e simplesmente viram o que são: crianças. A trilha sonora é muito bacana, com bons sons de blues, jazz e ‘Ain't No Mountain High Enough’. 
Não espere um baita filme, tampouco uma superprodução; mas um filme necessário, feito com muito carinho. Uma história que, infelizmente, ocorre com muita frequência, retratada pela perspectiva de quem não apenas sobreviveu, mas já a superou. 


Nota: 07. 

                                                TRAILER:
  
Direção: Lori Petty. 
Elenco: Jennifer Lawrence, Chloë Grace Moretz, Selma Blair, Sophi Bairley, Bokeem Woodbine. 
Sinopse: Inspirado em fatos reais, comovente retrato da vida de uma adolescente em que a mãe é uma viciada em drogas, o padrasto é um cafetão e a própria casa é a sede de jogos ilícitos e de prostituição do bairro. Uma verdadeira batalha para esta adolescente cuidar de suas duas irmas menores, apesar das circunstâncias tristes em que vive, quer um novo e poderoso começo. 


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Luciane Lee

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