Crítica: Brooklin (2016, de John Crowley)

Brooklin é um filme excelente, não se deixe enganar pela sinopse batida, sua indicação ao Oscar de melhor filme em 2016 foi extremamente merecida.



John Crowley é o diretor, ele dirigiu apenas filmes independentes desconhecidos e alguns episódios de True Detective, mas em Brooklin realiza seu trabalho mais notável. Ele dirige o elenco muito bem, muito bem mesmo, óbvio que o destaque o filme é a Saoirse, mas ele consegue extrair de todos performances ótimas. A fotografia é muito bonita, os figurinos também, a trilha sonora é agradável e toda a produção do filme é bem feita. Crowley dá ao filme uma sutileza (muito, mas muito bem aplicada) que fica registrada como sua marca na direção. Se formos comparar com a Carol e A Garota Dinamarquesa, que também estão na temporada de premiações de 2016 com performances incríveis e produções de época ótimas, Brooklin se firma como o melhor dos três.






O roteiro é adaptado por Nick Hornby, um excelente roteirista que conseguiu com louvor mais uma indicação ao Oscar. O roteiro é extremamente bom, por mais que o tema não seja o mais relevante do mundo, nas mãos de Nick se torna interessante. O filme tem uma carga dramática forte e alguns toques de comédia ótimos, as cenas na mesa de jantar da pensão são muito boas, todos os personagens são aproveitados, o lado romântico também é bem escrito, enfim, o roteiro é muito bom.




O elenco está divino. Saoirse Ronan entrega a melhor performance de sua carreira. Com apenas 21 anos, ela já têm duas indicações ao Oscar no seu currículo e aqui se firma como uma das melhores atrizes de sua geração. Saoirse nos entrega uma Eilis encantadora, que começa tímida e contida, mas depois vai ganhando segurança (Rooney Mara em Carol faz isso e também acertou em cheio), com carga dramática forte e um carisma acima da média. Saoirse é fundamental para que o filme dê certo. Emory Cohen está excelente também, ele tem uma química ótima com Saoirse, ele flerta com muito charme à todo tempo, os olhares que os dois trocam são intensos e românticos, meu casal favorito dos últimos anos. O elenco de apoio está muito bom também. Julie Walters está impagável, quase todas as cenas cômicas são protagonizadas por ela na mesa de jantar da pensão, ela é rápida e engraçada. Destaque também para a pequena participação de Eva Birthistle, é bem pequena mesmo, mas ela rouba a cena.




É incrível como o preconceito é certeiro para qualquer filme indicado ao Oscar que contenha romance, mas o que algumas pessoas não entenderam, é que Brooklin vai além, é um filme sobre uma vida nova, em um país novo, onde o diretor coloca a mão e acerta em cheio em todas suas escolhas, dos toques de humor, passando pelo drama que a distância causa e finalizando com um casal extremamente lindo. Não é a toa que Brooklin é o filme indicado ao Oscar com maior aprovação no Rotten Tomatoes, mal posso esperar para ver os próximos trabalhos de Saoirse Ronan e Emory Cohen.




Título Original: Brooklyn

Direção: John Crowley

Elenco: Saoirse Ronan, Emory Cohen, Julie Walters, Domhnall Gleeson, Jim Broadbent, Jessica Paré, Fiona Glascott, Eva Birthistle e Brid Brennan.

Sinopse: Uma irlandesa jovem e tímida (Saoirse Ronan) se muda para Nova York, com o objetivo de arrumar um bom emprego e melhorar de vida (uma típica história de imigração). Embora ela tenha um começo árduo, logo se apaixona por um italiano encantador (Emory Cohen) e começa finalmente a se adaptar ao novo país, mas quando tudo parece estar perfeitamente bem, uma tragédia à faz voltar para Irlanda, tendo que enfrentar alguns contrapontos e tomar decisões importantes.


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Yago Tanaka

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