Crítica: Nerve (2016, de Ariel Schulman e Henry Joost)



Qual o limite entre realidade e vida virtual? Até onde você iria para ganhar um jogo que te obriga a fazer coisas que você nunca pensou em fazer antes? ‘Nerve’ é exatamente isso, vem comigo que eu te explico as regras.

O primeiro passo é decidir se você é um OBSERVADOR ou um JOGADOR. Se você escolher ser um Jogador terá que fazer tarefas escolhidas pelos Observadores, pessoas desconhecidas que te dão desafios dos mais variados e muitas vezes, perigosos. Se você aceitar e completar a tarefa, consegue pontos e dinheiro na sua conta bancária. Um jogo onde muitos observam e poucos jogam, dinheiro esse que vem daqueles que se escondem atrás da tela do celular decidindo o que os outros farão a seguir. Uma renda fixa e certa. O curioso é que em muitas cenas, temos a impressão de estar assistindo dentro do celular, de nós sermos os expectadores que controlam o jogo.




Somos apresentados logo de início a nossa heroína Vênus ou Vee (Emma Roberts) para os amigos, uma garota tímida que segue as regras sempre e sua melhor amiga Sydney (Emily Meade) totalmente o oposto, fazendo o que quer e quando quer, inclusive uma jogadora. O começo do filme é bem "café com leite". Somos introduzidos no universo deles, escola, paixões e desejos e sem se aprofundar muito nas questões adolescentes, o filme nos mostra como é o jogo quando Vee decide jogar após brigar com Sydney, tentando provar para ela mesma que ela é capaz sim de fazer suas próprias escolhas e também ser descolada como todos. Seu primeiro desafio não é nada difícil, ela precisa encontrar alguém para dar um beijo e o escolhido é um rapaz, Ian (Dave Franco) que, aparentemente, está por acaso no mesmo restaurante, mas logo fica óbvio que ele também é um jogador. 


Após completar a sua tarefa, os observadores parecem gostar do casal que acabaram de formar e começam a dar tarefas para eles cumprirem juntos, tarefas que variam entre entrar numa loja e vestir uma determinada roupa até andar de moto sem enxergar o caminho. 


Mas as coisas começam a sair do rumo muito rápido. Após um desafio difícil Vee decide dedurar o jogo para um policial, entretanto essa era a principal regra do jogo: NÃO SEJA UM DEDO DURO! Em segundos sua vida vira do avesso, sua conta bancária é limpa e ela se vê prisioneira onde só conseguirá ficar livre se ganhar o desafio final. E é aqui que a história muda de figura.


Até então o filme era um misto de obsessão em ser reconhecido, uma pitada de Big Brother já que todos poderiam assistir a qualquer hora e qualquer lugar, a perda de privacidade entre vida real e virtual e aparentemente parecia ter um limite entre o certo e errado nos desafios que foi totalmente ultrapassado. A questão do fazer tudo por dinheiro, que vinha de forma fácil. O poder dos Observadores em mandar e desmandar era muito maior e muito mais fácil, porque não era eles que se arriscavam e não eram eles que corriam perigo. Foram mostradas algumas cenas que nos fizeram pensar se era realmente um simples jogo e até onde as pessoas estavam dispostas a obedecer. A atitude dos personagens muda completamente, como se, em uma noite, todos descobrissem quem realmente são e o que realmente querem. Mudando os diálogos para algo mais sério e ficando incrivelmente corajosos, principalmente a personagem da Emma, que parece se transformar em outra pessoa. 


Superficial ou não o filme vem como uma reflexão sobre a exacerbada busca da fama e do limite que muitos ultrapassam para conseguir. É claro que os Observadores demonstram as pessoas que se escondem na internet para fazer coisas desagradáveis e até perversas aos outros e que as consequências também são nossas e por mais que tentemos impor certos limites, nem sempre seremos capazes de controlar tudo o que nos cerca. Entretanto o roteiro não se aprofundou tanto nas questões morais, apenas pincelou todas de forma bem superficialmente. Alguns personagens parecem perdidos e sem nexo na trama. A trilha sonora é competente e o visual do filme é ótimo. Um filme voltado para os jovens e a nossa atual realidade, tentando demonstrar de certa forma, como a internet e a opinião de pessoas que nem conhecemos consegue nos modificar. Por fim, diria que é um filme interessante de se assistir.


Título Original: Nerve.

Direção: Ariel Schulman, Henry Joost.

Elenco: Emma Roberts, Dave Franco, Emily Meade, Kimiko Glenn, Miles Heizer, Juliete Lewis, Machine Gun Kelly, Samira Wiley.

Sinopse: A estudante Vee, pressionada pelos amigos, decide participar do jogo online Nerve, que faz desafios reais aos seus jogadores. Porém, o jogo toma um rumo assustador e, ao chegar no estágio final, Vee precisa tomar decisões que irão determinar o seu futuro.


Trailer: 



Imagens


 


 

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Natália Vieira

Gosto de filmes e sou viciada em séries e música boa. Não tem muito o que dizer depois disso.

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