Crítica: Advantageous (2015, Jennifer Phang), um achado nas profundezas da Netflix!

Até onde você iria para manter seu emprego, seu status, sua vida financeira e a daqueles que você ama? E se a proposta fosse de certa forma sedutora e interessante, mesmo com riscos conhecidos? É com este tipo de questionamento que lhe convido a conferir a crítica do filme Advantageous com a talentosíssima Jacqueline Kim.







Não é de hoje que ouvimos por aí dos verdadeiros achados que estão escondidos no extenso catálogo da Netflix, não é verdade?! O serviço de streaming de filmes nos possibilitou encontrar raríssimos tesouros, que antes só teríamos acesso através de indicações ou então de procuras e mais procuras incessantes no vasto mundo da internet. 

Advantageous vem a ser mais uma pérola encontrada. Uma ficção científica bastante interessante, recheada de elementos surpreendentes que vão te deixar pensativo por um bom tempo.


Podemos começar dizendo que este filme é bem diferente da maioria das coisas que você já viu por aí. A começar pela direção comandada por uma mulher (Jennifer Phang) e o roteiro também ser feito pela mesma mulher que interpreta a personagem principal do filme (Jacqueline Kim), o filme não poderia ser mais do que aprovadíssimo no teste de Bechdel. Porém, o feminismo aqui retratado não é algo escancarado, de forma alguma. Tudo é demonstrado da forma mais singela possível, como um pano de fundo muito bem desenhado.

A história se passa num futuro mais distante, porém bem parecido com nossa realidade atual, e o grande diferencial que temos é que as mulheres passaram a assumir um papel de maior destaque em empresas e dentro de suas próprias casas. Gwen (Jacqueline Kim) é uma mãe solteira, bem sucedida com cerca de 40 anos que tem uma talentosa filha adolescente, Jules (Samantha Kim) e trabalha em um laboratório de biomedicina como uma espécie de Relações Públicas. 


O conflito do filme se dá quando Gwen é demitida de seu cargo, justamente por já não ser tão jovem, o que para a empresa, é fundamental, uma vez que seu principal produto é uma forma inovadora de cirurgia estética. Gwen, que demonstra todo tempo ser uma mulher decidida, começa a procurar emprego, sem nada dizer à Jules, pois precisa garantir o futuro de sua filha, para que ela não sucumba à prostituição (algo comum para crianças que não tem acesso à uma boa vida escolar no universo do filme - o que não é tão diferente de nossos dias). 


A primeira proposta que Gwen recebe é para ser doadora de óvulos. Ela, uma mulher bem sucedida, no auge de sua carreira, não acredita que deveria se submeter àquilo para sobreviver, o que nos traz um questionamento sobre o papel da mulher na sociedade: se não puder ser objeto de desejo, com corpo e rosto agradáveis, que sirva para reprodução...

Desesperada, ela não enxerga mais saídas. E eis que surge uma proposta, que de certa forma se mostra sedutoramente interessante, para que ela possa voltar ao seu antigo cargo no laboratório de biomedicina. Algo que mudará completamente sua vida e a vida de Jules.


A crítica que Advantageous faz é algo que nos faz pensar por dias e dias. Depois de tudo que Gwen passa para garantir o futuro de sua filha (e até mesmo o seu), os questionamentos que ficam são: 'O que nós realmente somos?', 'Somos apenas vários pensamentos, lembranças e memórias, ou nosso corpo é parte integrante de nós mesmos?', 'Nossa identidade se perde quando deixamos nossos recipientes, nossas cascas?' Lembrei-me muito de Transcendence (2014) e acredito, que se você já viu esse filme e for conferir Advantageous terá uma impressão parecida.

Ainda destaco a grande visão feminista existente neste filme. É tudo colocado de forma até um pouco implícita, mas que deixa questionamentos... Apenas em 2041 que a mulher alcançará sua pseudo-independência? Pseudo porque, mesmo sendo independente, poderá correr riscos potenciais de ver tudo desmoronar pelo fato de que homens não podem ficar desempregados ou obsoletos... 

Você verá, assim como eu, que os questionamentos serão muitos...





Título Original: Advantegeous

Direção: Jennifer Phang

Elenco: Jacqueline Kim, James Urbaniak, Jenniger Ehle, Samantha Kim, Freya Adams, Ken Jeong.

Sinopse: Em uma cidade no futuro próximo onde a opulência ofusca dificuldades econômicas, Gwen e sua filha, Jules, fazem tudo o que podem para manter a alegria, apesar de toda a instabilidade em volta do seu mundo.



Trailer:





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Eduarda Souza

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