Crítica: Capitão Fantástico (2016, Matt Ross)



Até onde você estaria disposto a ir para seguir seus princípios? Para provar que dá sim para ser diferente daquela sociedade imposta e igualitária e que suas opiniões podem estar corretas também? Em Capitão Fantástico vemos tudo isso e mais.

Esse é o segundo longa metragem do diretor e ator Matt Ross que aborda a luta constante desse pai em criar os filhos contra o ''sistema'', fazendo-os pensar de forma crítica e filosófica sobre o "capitalismo opressor" e tudo o que o consumismo faz com a vida das pessoas. Citando sempre autores com princípios socialistas.


"Marxistas podem ser tão genocidas quanto capitalistas". Dito por Ben (Viggo Mortensen) a Bo (George McKay) que, após alguns acontecimentos, percebemos que essa frase pode se encaixar perfeitamente a Ben. Onde ele está tão convicto de suas certezas e sua criação perfeita que não entende ou não quer ver que nem tudo é tão perfeito quanto ele pinta.



Ben tem seis filhos dos quais todos moram e vivem na floresta. Caçam, treinam pesado e fazem tudo o que o pai manda, independente da idade todos tem que se virar e aprender a sobreviver. Ele e a esposa decidiram "fugir" e viver em um ambiente natural, criando os filhos e educando-os em casa. Até ai parece que tudo corre bem, que o sistema deles funciona e que todos concordam. Porém, logo no começo do filme descobrimos que a mãe das crianças está internada com depressão e não passa muito tempo, ela se mata. Despedaçando o que parecia intocável, algumas crianças se revoltam e aos poucos vemos que Ben tem que se dobrar sobre seus próprios conceitos para que os filhos possam ir no funeral da mãe.



A jornada até chegar o funeral é mais interessante do que a vivência dessas crianças prodígios, é como se a viagem fosse uma forma de auto conhecimento entre eles mesmos, sobre quem eles querem realmente ser. Os dois filhos mais velhos, Bo e Rellian (Nicholas Hamilton) dão um ar dramático que até então Ben não havia passado antes. Onde eles questionam a autoridade desse pai sobre as escolhas que ele fez para eles. Temos também a primeira grande diferença cultural quando eles chegam a casa da irmã de Ben, onde as crianças da "cidade" sabem tudo sobre a sociedade que vivem, mas não são tão inteligentes ou "bem-criadas" quanto as crianças que todos veem como estranhas.

Vimos claramente um declínio entre as certezas de Ben quando este é confrontado pelo sogro (Frank Langella), mostrando os pontos altos de sua jornada sem ele mesmo perceber o quanto está sendo perigoso para os filhos. Sendo ameaçado então de perder a guarda por abuso infantil, Ben vê seu mundo cair por terra, percebendo que foi irresponsável e permite que os filhos vivam com os avós.



Apesar da reflexão que o filme nos mostra no começo e meio do filme, no ato final a tensão envolta dos personagens se desfaz, como se finalmente eles estivessem no caminho certo. Apesar de todas as adversidades e problemas encontrados durante o filme, o final é leve e os obstáculos são deixados para trás. Deixando nítido que, o amor que ele sentia pelos filhos era algo que nada mudaria, nem suas ideologias. O filme todo é voltado para Ben e as consequências de suas decisões para seus filhos e à ele. O roteiro é inteligente e as frases são ditas e boladas dando a impressão que foram feitas para nos fazer acreditar e convencer tanto quanto Ben acredita nas suas ideologias. Talvez o nome do filme seja em relação ao que Ben e Leslie conseguiram construir a partir de seus sonhos. Fantástico é o que eles ensinaram aos filhos.



Nome Original: Captain Fastastic

Direção: Matt Ross

Sinopse: Ben é o pai de seis crianças, que decide fugir da civilização e criar os filhos nas florestas selvagens do Pacífico Norte. Ele passa os seus dias dando lições às crianças, ensinando-os a praticar esportes e a combater inimigos. Um dia, no entanto, Ben é forçado a deixar o local e retornar à vida na cidade. Começa o aprendizado do pai, que deve se acostumar à vida moderna.

Elenco: Viggo Mortensen, George MacKay, Annalise Basso, Samantha Isler, Shree Crooks, Nicholas Hamilton, Kathryn Hahn, Charlie Shotwell, Trin Miller, Frank Langella, Steve Zahn, Ann Dowd.

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Natália Vieira

Gosto de filmes e sou viciada em séries e música boa. Não tem muito o que dizer depois disso.

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