Crítica: A Invenção de Hugo Cabret (2011, de Martin Scorsese)



Seguindo uma série de publicações feitas aqui no blog em homenagem ao diretor Martin Scorsese (o grande responsável por obras como A Ilha do Medo, Lobo de Wall Street, Goodfellas: Os Bons Companheiros e Taxi Driver) por conta do lançamento de Silence, indicado a Melhor Fotografia no Oscar 2017, continuamos com as críticas aos filmes de Martin Scorsese, e dessa vez a análise fica por conta do primeiro e único filme infantil da carreira do diretor americano.A Invenção de Hugo Cabret foi indicado a 11 categorias no Oscar de 2012 e acabou levando o prêmio em 5 dessas categorias, todas elas consideradas "técnicas" pela academia. O filme que, como a maioria deve saber, conta a história de Hugo (Asa Butterfield), que mora clandestinamente dentro das torres de relógio da estação de trem Gare Montparnasse em Paris. E gira em torno de um misterioso Autômato deixado para a criança por seu pai interpretado por Jude Law (Sherlock Holmes e A.I. - Inteligência Artificial).



Inspirado no livro homônimo, lançado em 2007, a película conta com a presença de nomes consagrados como Ben Kingsley (A Lista de Schindler, Ilha do Medo) e Christopher Lee (Star Wars, O Senhor dos Anéis) e representa uma evolução do 3D no cinema contemporâneo, pois os anos de 2009 a 2011, exceto por Avatar de James Cameron, ficaram marcados pelo mau uso do recurso no cinema, com histórias que simplesmente existiam para lançar objetos sobre os espectadores.

Até por isso, A Invenção de Hugo Cabret ganhou o Oscar nas principais categorias técnicas e foi esquecido na premiação das categorias principais que certamente foi indicado pelo baixíssimo número de filmes com qualidade produzidos no ano de 2011. Até o próprio Scorsese admitiu que tratou o filme com um experimento, e juntou a vontade de se aventurar em fazer um filme infantil com a vontade de usar a tecnologia 3D de forma mais sensata.

Diferente, do exemplo abaixo que eu devo admitir que foi o primeiro filme 3D que assisti no cinema.

(Pelo menos em uma coisa o filme acertou, por mais que eu tente, não conseguirei esquecer esse dia.)

Depois desse pequeno exemplo do que o 3D já nos proporcionou um dia, voltemos a análise de A Invenção de Hugo Cabret.

O filme não é ruim, é muito provável que nada que Scorsese coloque o dedo ficaria ruim, mas é um filme bobo, apenas para diversão e assisti-lo mais de uma vez se mostra desnecessário e cansativo. Um filme para sessão da tarde muito comprido e bem detalhado. Como dito anteriormente, a maioria das suas indicações se justificam por ter sido um Oscar fraquíssimo, (com o irrelevante O Artista levando tudo que podia) e o filme ter sido uma espécie de inovação para um diretor tão conhecido. Os atores estão muito bem, pois Scorsese escolheu com perfeição Asa Butterfield como protagonista e Chloë Grace Moretz como sua parceira, que na época despontava para ser uma grande atriz e já tinha atuado em ótimos papéis como em 500 Dias com Ela, Deixe-me Entrar e Kick-Ass. Também não poderia existir um ator melhor para interpretar o primeiro mestre do cinema George Méliès do que o já citado Ben Kingsley. Sua esposa na história Mama Jeanne (interpretada por Helen McCroy) também entrega uma bela atuação, mas, um ator foi esquecido na hora de contabilizar as indicações do filme para a conquista das estatuetas.



A atuação de Sacha Baron Cohen (conhecido eternamente como Borat) ficou de fora dos candidatos a Melhor Ator Coadjuvante daquela edição do Oscar, que acabou premiando o ator canadense Christopher Plummer, por seu papel em Toda Forma de Amor estrelado por Ewan McGregor. Uma grande injustiça para o ator que incorporou os grandes comediantes do cinema na década de 30 para fazer o papel do inspetor da estação de Gare Montparnasse.

Em resumo, o filme tem uma grande dramaticidade, incomum em outros tantos filmes infantis. Mas ao mesmo tempo é de uma leveza e despretensão fora do comum dos melhores filmes do diretor. É recheado de grandes atuações e deu um passo adiante na produção de filmes de qualidade 3D para o cinema comercial. É, também, uma homenagem ao cinema antigo e principalmente a George Méliès, que produziu mais de 500 filmes em sua carreira. Mas, diferente do que a capa diz, está longe de ser uma obra-prima.





Título Original: Hugo


Direção: Martin Scorsese

Elenco: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Ben Kingsley, Sacha Baron Cohen, Christopher Lee, Helen McCrory, Jude Law, Emily Mortimer, Ray Winstone, Michael Stuhlbarg, Richard Griffiths, Frances de la Tour

Sinopse: Em um futuro próximo, uma lei proíbe que as pessoas fiquem solteiras. Qualquer homem ou mulher que não estiver em um relacionamento é preso e enviado ao Hotel, onde terá 45 dias para encontrar um(a) parceiro(a). Caso não encontrem ninguém, eles são transformados em um animal de sua preferência e soltos no meio da Floresta. Nesse contexto, um homem se apaixona em plena floresta - algo proibido, de acordo com o sistema.

Trailer:



Vocês acham justas as estatuetas dadas à esse filme? Comenta aí embaixo a sua opinião sobre ele e sua importância dentro da filmografia do Scorsese.


Rodrigo Zanateli Ribeiro

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