Crítica: A Grande Muralha (2016, de Zhang Yimou)



Chegou ontem aos cinemas a nova obra do diretor Zhang Yimou (O Clã das Adagas Voadoras). Estrelado por Matt Damon, Pedro Pascal e Willem Dafoe, A Grande Muralha é uma aventura épica com toques de comédia, cujo enredo abordado é deveras chamativo. Além de um visual que usa e abusa de cores vivas, o filme é sem dúvidas uma boa pedida para o seu fim de semana/feriado que está por vir, pois acaba sendo um filme pipoca que se diferencia dos outros e tem lá o seu mérito.


Na história, que se passa no século XV, William (Damon) e Tovar (Pascal) são dois mercenários em busca de pó negro (pólvora). Depois de escaparem do ataque de uma criatura misteriosa, eles se encontram acidentalmente, aos pés da Grande Muralha. Lá, eles acabam aprisionados pelos guerreiros chineses, que estão na iminência de sofrerem um ataque. Reza a lenda que, a cada 60 anos, uma horda de monstros tenta transpassar a barreira, para se alimentar dos humanos que vivem do outro lado. Bom, em primeiro lugar, pouco pode ser dito com relação à uma trama dessas. A execução apesar de não ser nada original (sim, ele lembra uma versão chinesa de O Senhor dos Anéis), foi bem bolada pelo diretor. Ela contém morais sobre a natureza da guerra e da ganância humana na maior parte, formando várias conversas entre William e Lin, nas quais a lealdade dos dois é testada no decorrer da projeção. Baseado nisto, o respeito mútuo também substitui qualquer romance implícito, que surge no meio de Damon e Jing Tian, mas o enredo não explora esses aspectos, então os mesmos são irrelevantes. Quanto ao resto das interações, todas estão em grande parte consideráveis, ainda que algumas recebam pouco foco a ponto de criarmos uma empatia à primeira vista.



Sobre o elenco: Matt Damon dá um show de interpretação ao incorporar William Garin. O astro, ótimo como sempre, prestigia seu protagonista de forma que os telespectadores enxerguem o carisma nele, sem exagero ou momentos forçados. Agora, a performance do brilhante Willem Dafoe como Ballard é um dos aspectos negativos. Após tantos papéis bem feitos no cinema, aqui ele parece ter sido desajeitadamente empurrado de sobra, entregando um personagem “água com açúcar”, cujo qual nem nos importamos direito se vive ou morre.

Ademais, o roteiro, feito por cerca de cinco escritores, incluindo Tony Gilroy (O Legado Bourne) e Max Brooks (Guerra Mundial Z) é simples (mas bem amarrado, por sinal) e conta com vários diálogos chavões, mas não é um problema tão grave assim. Já Pedro Pascal (Game of Thrones) fornece certas piadas decentes no contexto e se torna o alívio cômico ao longo da fita. O restante dos rostos adicionados, como o de Andy Lau, Zheng Kai e Eddie Pang também estão aceitáveis desempenhando os soldados patriotas, que arriscam suas vidas ao abraçar uma grande causa em campo de batalha e em momento algum demonstram desistir de lutar para salvar o seu próximo, seja dos ataques dos mongóis (povos inimigos) como dos bichos bizarros da imagem adiante.



No quesito CGI, a equipe responsável está de parabéns! Os efeitos visuais são tão bem feitos - em particular o das criaturas denominadas Taotie, que chega a arrepiar às vezes, tanto pela forma como o bando se comunica entre si quanto o som que emitem ao abrirem a mandíbula. Vale ressaltar ainda que você se sente dentro daquele universo e provavelmente leve um susto aqui e outro ali (confesso que levei 2). Com base nisso, os jump scares ocorrem de forma nada sutil, visto que quando se aproximam, a trilha sonora - composta pelo excelente Ramin Djawadi (Círculo de Fogo) - simplesmente para e o silêncio invade a tela, dando uma apreensão até no espectador mais preparado. Tudo isto inclusive está envolto em torno de 1 hora e 45 minutos que passam mais rápido do que notamos e prestigia uma fotografia lindíssima, constituindo ângulos cuidadosamente posicionados e fazendo com que o 3D compense.



Em vista dos fatos mencionados, A Grande Muralha funciona como um passatempo divertido. Dá pra assistir tranquilo, de preferência recomendo vê-lo com a "cabeça fria". Independente de não ser o melhor já feito pelo cineasta, felizmente funciona, até porque o diretor apresentou truques de artes marciais inusitadas e certos costumes associados a cultura da nação em questão. Sobretudo, entregou uma superprodução bacana e olha que há controvérsias se o filme será um blockbuster memorável, mas no geral, a sequência de eventos se desenrolou de tal maneira que atendeu às minhas expectativas. Recomendado!





Título Original: The Great Wall

Direção: Zhang Yimou

Elenco: Matt Damon, Tian Jing, Willem Dafoe, Andy Lau, Pedro Pascal, Hanyu Zhang, Lu Han, Kenny Lin, Eddie Peng, Zuan Huang, Ryan Zheng, Karry Wang, Cheney Chen, Pilou Asbæk, Numan Acar.

Sinopse: No século XV, um grupo de soldados britânicos está combatendo na China, e se depara com o início das construções da Grande Muralha. Aos poucos, percebem que o intuito não é apenas proteger a população do inimigo mongol e que a construção esconde um grande segredo.

Trailer:


Mais imagens do filme:














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Eduardo Ben

Sou um jovem que curte bastante cinema, inglês, ler e jogar de vez em quando.

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