Crítica: iBoy (2017, de Adam Randall)



A Netflix disponibilizou há cerca de uma semana, na última sexta-feira (27) o seu mais novo filme original iBoy, ficção cujo conceito é deveras inusitado. Estrelado por Maisie Williams, Bill Milner e Rory Kinenar, ele é baseado no livro escrito por Kevin Brooks e vem com uma premissa pouco vista em outros longas até então. Mas será que esse diferencial deu certo?




O filme nos conta a história de Tom, um nerd que vive com sua mãe e tem uma queda por sua colega de escola, Lucy. Certa noite, ao descobrir que ela está sendo brutalmente violentada, o garoto sai correndo, sem reação, porém os vândalos correm atrás dele e o acertam na cabeça. Quando se recupera, descobre que fragmentos de seu telefone celular se instalam no cérebro e agora ele passa a controlar dispositivos eletrônicos, usando seu novo poder para se vingar. De cara, é correto afirmar que o trailer de certa forma explodiu feito um foguete quando foi lançado há algumas semanas atrás, batendo recordes de visualizações da noite pro dia. Nada mal para uma película fantasiosa cujo orçamento apesar de baixo, possivelmente deu um impulso pela presença da atriz mirim Maisie Williams, que anda fazendo o maior sucesso na série Game of Thrones.


Pra começar, é uma pena que toda a remessa do plot tenha sido mediana, pois engana o público de maneira sutil. Não há nada que concretize o fator “super-herói” no filme em si. Ao focar mais no quesito drama juvenil, o conceito de alguém que se fere e em seguida obtém super poderes como resultado (vide Homem-Aranha) já tenha sido feito antes, a ideia aplicada aqui não é bem assim. Se comparado a outros filmes, nos quais os heróis utilizam suas habilidades para proteger a sociedade de um vilão, em iBoy o protagonista usa o dom adquirido subitamente para proteger a indefesa menina que ama, mas realizando atos inimagináveis, que chegam a ser cômicas. Aliás, boa parte do que Tom faz é justamente o que muitos de nós um dia sonhamos em fazer com nossos amigos e/ou inimigos e tais momentos podem ser tão engraçados pra uns quanto revoltantes pra outros, do tipo que faça os espectadores mais sérios dizer: “ah, mas isso não se faz”.



Em contrapartida, o contexto cujo roteiro tem os pés firmados demais na realidade atual possui uma fotografia interessante, escura, com tomadas conduzidas num cenário urbano atual que mantém tudo bem aterrado, felizmente. Já a montagem dos efeitos especiais também dá um “up” na fita, nos mostrando exatamente o que Tom é capaz de ver e ouvir através de dispositivos eletrônicos de outras pessoas. Por causa de seus superpoderes, ele é praticamente um espião, digamos assim e, com seu capuz e rosto cobertos, não pensa duas vezes em se vingar da gangue que atacou Lucy, quase que em estilo ninja! Não se iluda, de santo, Tom não tem nada.





Inclusive, em meio a esse cenário de alta tecnologia que o jovem realiza suas ações politicamente incorretas, há takes de câmera curiosos como a sequência da cena de chuva torrencial e, por conseguinte, a boa edição de fotografia, comandada por Eben Bolter, com quem o diretor havia trabalhado ano passado em um filme também composto de semelhanças. São elas: a concepção de alguém sozinho que tenta salvar a pessoa por quem tem uma afinidade especial. Sendo assim, enquanto esse aspecto em comum se torna outro lembrete de que o enredo não é especialmente novo, o filme não é de todo ruim. Visualmente falando ele se sai bem e prende a sua atenção na tela conforme o ritmo dos eventos se sucede.



Outro ponto positivo é o elenco jovem, que felizmente obtém uma boa imersão, especialmente no confronto final entre Tom e o Sr. Big local, interpretado por um Rory Kinnear diferente do que estamos acostumados a ver em Penny Dreadful, diga-se de passagem. Ademais, o protagonista em questão, Tom, interpretado pelo ator mirim Bill Milner, de X-Men: Primeira Classe não está ruim, mas precisa melhorar. Que ele evolua em seus papéis futuros, pois nunca é tarde para obter sucesso começando “lá em baixo”, por assim dizer.



Baseado no livro escrito por Kevin Brooks e em virtude dos aspectos mencionados acima, iBoy é pelo menos, uma boa pedida. Mesmo que esteja longe de ser um blockbuster e tenha lá suas falhas, não é de se jogar fora. É um entretenimento que não cumpre tudo o que promete, mas vale sua 1 hora e meia, visto que a tentativa da obra em trazer uma nova torção para o gênero ficção rendeu um filme pipoca.







Título Original: iBoy

Direção: Adam Randall

Elenco: Maisie Williams, Miranda Richardson, Rory Kinnear, Bill Milner, Leon Annor, Armin Karima, McKell David, Jordan Bolger, Charley Palmer Rothwell, Shaquille Ali-Yebuah, Aymen Hamdouchi, Leon Annor, Petrice Jones, Cameron Jack, Lucy Thackeray, Christopher Colquhoun.

Sinopse: após um acidente, Tom acorda de um coma e descobre que fragmentos do seu Smartphone foram incorporados na sua cabeça. Ele também descobre que retornar à vida de um adolescente normal é impossível, pois ele desenvolveu super poderes.

Trailer:





Mais imagens do filme:














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Eduardo Ben

Sou um jovem que curte bastante cinema, inglês, ler e jogar de vez em quando.

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