Crítica: Logan (2017, de James Mangold)


Esse foi um dos casos em que já comecei a sessão à beira das lágrimas. Independente do que ali viesse, uma das mais marcantes combinações do cinema recente estava se despedindo: Hugh Jackman e seu Wolverine, que nos seguia há quase vinte anos através dos estúdios Fox. Sim, eu vi os filmes da saga original X-Men no cinema e na Temperatura Máxima umas cinquenta vezes, a saga reboot no cinema e na TV a cabo e, EU SEI, tivemos que aguentar os horrores que foram as tentativas solo. Por toda essa trajetória, todos nós sabíamos o quanto Logan merecia sua história contada da forma certa - ao menos em sua saída ele conseguiu.


Tudo aqui se passa em 2029. Por motivos diversos, agora só restam Logan e um debilitado Charles (com o sempre incrível Patrick Stewart) como remanescentes dos X-Men num futuro comandado por corporações. O antes invencível Carcaju é, agora, um motorista de limousine, com fator de cura desgastado, que divide com Caliban (Stephen Merchant) a tarefa de cuidar do outrora Professor X. Para contribuir com a atmosfera de solidão, um cenário de faroeste nos persegue por todo o longa, em sintonia com a tristeza vivida com os antigos heróis que um dia sonharam em evitar este fatídico futuro.

Hugh Jackman como Logan em cena do filme 


Falando em tristeza, é esta a maior âncora para a impecável performance de Hugh Jackman. Acima de tudo, Logan sofre - pelos amores e amigos que se foram, pelas batalhas perdidas, pela falta de esperança que lhe consome, pelo corpo que agora lhe falha. Para evitar sua dor, leva uma vida que não lhe permite mais sentir nada - até que a menina Laura Kinney (Dafne Keen) cruza seu caminho. A partir do momento que X-23 precisa ser levada para fugir de Donald Pierce (Boyd Holdbrook), uma fagulha de espírito se acende, e temos Wolverine de volta à ação.

Principal falha dos filmes anteriores, o roteiro aqui é afiado. Sem romances desinteressantes ou viagens no tempo que ninguém realmente entende (ou precisa), Logan tem um propósito e gira em torno dele: dar adeus a uma geração cansada e abatida, que perdeu muito mais do que ganhou, e que agora luta pela sobrevivência. Sem super-vilões ou plots maquiavélicos, o tempo aqui é o maior inimigo: Laura Kinney é o que resta a ser salvo, e suas capacidades já quase extintas são o que se sobrou para salvar o que ainda resta de esperança.

Não há muito de elenco a se discutir, especialmente pela natureza que o filme apresenta. Além disso, o foco aqui é Wolverine: esta é a sua história, seu canto do cisne. Destaque para a revelação Dafne Keen (abordar mudez seletiva num filme estilo faroeste merece aplausos) e para o veterano Patrick Stewart, também dando adeus ao icônico papel que interpretou por anos na saga. Quanto à Boyd Holdbrook, se torna quase injusto julgar um personagem escrito para não ter destaque - valeu por apresentar uma ótima evolução em relação aos vilões de X-Men: Origens e Wolverine: Imortal.


Dafne Keen como Laura Kinney em cena do filme 


Patrick Stewart como Charles em cena do filme 

Boyd Holdbrook como Donald Pierce em cena do filme 

Parabéns também a James Mangold por conduzir a narrativa com o tom certo de violência - ou seja, altíssimo. Era isso que todos nós esperávamos, e finalmente conseguimos. Por não se permitir pensar ou sentir qualquer coisa, Logan mata: por tristeza, por alegria, por vingança ou por raiva. Mangold trouxe sangue ao deserto com uma ótima fotografia, além de excelentes cenas de ação e lutas especialmente coreografadas, finalizadas com uma trilha sonora de excelente gosto, remetendo a clássicos do faroeste dos anos 50 ainda com alguns toques de modernidade.


Acima de qualquer rótulo de filme de super-herói que receba, Logan é um drama de ação - e dos bons. Se você é um fã dos quadrinhos do Carcaju e deseja ver a despedida deste dedicado ator do seu amado personagem, veja sem medo de se decepcionar - foi feito jus ao nosso mártir. Se viu apenas alguns dos vários filmes em que Hugh Jackman viveu o papel, ou apenas quer ver um bom filme, também vale a pena conferir. No melhor estilo Os Imperdoáveis encontra Os Brutos também Amam, Wolverine teve aqui a melhor despedida que poderia encontrar: a raiva, o amor e a tristeza que representaram sua agoniada existência tem aqui seu adeus em pleno faroeste.




Título Original: Logan

Direção: James Mangold

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Boyd Holdbrook, Dafne Keen, Stephen Merchant

Sinopse: Em 2029, Logan se vê sozinho com Charles num mundo quase sem mutantes, até que a jovem Lauren aparece em perigo, precisando de sua ajuda para fugir de Donald Pierce.



Trailer:







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Carol Batista

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