Crítica: Bates Motel - 5ª Temporada (Carlton Cuse, Kerry Ehrin e Anthony Cipriano, 2017)


A quinta (e última) temporada de Bates Motel começou muito bem, com um salto temporal de dois anos após a morte de Norma (Vera Farmiga) e o distúrbio mental de Norman (Freddie Highmore) atingindo proporções cada vez maiores. Os destaques dessa temporada vão para a parte técnica, com movimentos de câmera, fotografia e direção de arte alinhados, mostrando a mesma cena mais de uma vez e sob ângulos diferentes, para nos fazer entender como Norman estava vendo as coisas e como elas de fato estavam. Além disso, Freddie Highmore é o nome da temporada; o ator aumentou o seu nível de atuação, se é que isso é possível, fazendo ainda mais justiça ao trabalho de Anthony Perkins, que imortalizou a personagem no clássico de Hitchcock.



A partir do segundo episódio, entretanto, a série já demonstrava sinais de que iria tomar um rumo independente de tudo que conhecemos a partir da obra de Hitchcock, criando um limiar para a série. Até aqui, aparentemente, acompanharíamos tudo até que a história do filme começasse; mas não foi isso o que aconteceu. Foi-nos apresentado Sam Loomis (Austin Nichols), que é o amante de Marion Crane (Rihanna). Na série, Sam e Norman se conhecem antes mesmo de Marion chegar ao Bates Motel. Para os fãs do filme, essa “licença poética” não fez muito sentido, já que o último paradeiro conhecido de Marion é justamente o motel.



E não parou por aí: na metade da temporada, temos a introdução de Marion Crane, cuja “atriz” escalada foi ninguém menos que Rihanna, a cantora. Até hoje sem entender essa escalação - como uma atriz sem experiência é contratada para interpretar uma personagem icônica como Marion Crane? - Rihanna fez o trabalho que já era esperado: sem emoção e profundidade. Talvez a resposta esteja na própria abordagem dos roteiristas: Marion, de fato, não tem a devida importância em Bates Motel. Ela é uma hóspede como qualquer outra. A clássica cena de sua morte não ocorre na série, sendo substituída pela morte de outra personagem. Se por um lado foi ousado e inovador - afinal não há o que se recriar na antológica cena de Psicose - por outro foi um pouco incoerente, pois Freddie Highmore é um ator de baixa estatura e magro, e em relação à vítima escolhida ele perderia feio num embate real.


E a partir daí já não havia mais dúvida: a série escolheu mesmo um caminho paralelo em relação ao filme, deixando os fãs confusos. A proposta da série era criar a backstory (construção do passado de uma personagem) de Norman Bates, o que, na visão dos roteiristas, provavelmente já tinha sido feito até a quarta temporada, e na quinta a intenção deles era reescrever a história do filme. Há quem tenha gostado de ver uma segunda versão dos fatos, é claro, porém particularmente acredito que haveria muito mais da infância e da adolescência de Norman a ser explorado. Na minha opinião pessoal, a história da série deveria terminar onde a do filme começa, e assim teríamos um ciclo.


Mas, no fim das contas, a história contada pela série foi encerrada com dignidade e teve um final até poético e mais libertador para Norman Bates, que não tem a mesma sorte no filme. Apesar dos altos e baixos, por vezes dando muito espaço para tramas e personagens aleatórios que não levavam a história principal adiante, a série teve mais acertos que erros. Os principais acertos foram na criação e desenvolvimento de Norma Bates (até a escolha do nome da mãe foi certeira, como se mãe e filho fossem duas metades de uma mesma pessoa), a qual mal conhecemos no filme. Na série, ela ganha vida com a sempre ótima atuação de Vera Farmiga. A introdução de Dylan Massett (Max Thieriot), filho do primeiro casamento de Norma e meio-irmão de Norman, também foi acertada. Apesar de ser um pouco difícil de imaginar o solitário Norman Bates tendo um irmão, na série foi importante para a humanização da personagem. E no fim, apesar de toda a loucura, o irmão segue ao lado dele.



Outro acerto foi a maneira que desenvolveram o distúrbio de dupla personalidade do Norman. No filme há uma explicação do ponto de vista da Psicologia, mas na série a doença foi tratada com bastante atenção, e nesta última temporada especificamente os movimentos de câmera, que mostravam qual das personalidades estava presente, foram excelentes. A cereja do bolo, é claro, foi a atuação de Freddie Highmore, que se mostrou mais do que à altura do seu papel.


Título Original: Bates Motel

Direção: Freddie Highmore, Max Thieriot, Nestor Carbonell, Phil Abraham, Sarah Boyd, Steph Green, Tucker Gates.

Elenco: Freddie Highmore, Max Thieriot, Nestor Carbonell, Olivia Cooke, Vera Farmiga, Austin Nichols, Brooke Smith, Damon Gupton, Isabelle McNally, Kenny Johnson, Ryan Hurst.

Sinopse: Dois anos depois, Norman é visto como feliz e adaptado, mas luta com novos apagões. Dylan e Emma voltam, enquanto Romero quer vingança.

Trailer:

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Michele Figueiredo

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