Crítica: A Cabana (2017, de Stuart Hazeldine)


Todos nós já enfrentamos algum abatimento em nossas vidas, certo? Tanto por uma tragédia familiar como por uma pessoal, é em momentos assim que a maioria invoca a Deus, implorando por ajuda, para que dessa forma, busquem através da fé, um meio de superar e alcançar a paz interior. E é justamente sobre este assunto, a superação do luto, que A Cabana trata. O filme, baseado no livro homônimo sucesso de vendas, retrata uma história notável sobre como encontrar o caminho de volta para casa, como encontrar a força para perdoar, continuar sua vida e sobretudo, estar presente para sua família poder contar com você. Foi um manuscrito que além de ficar em 1º lugar na lista do New York Times, vendeu milhares de exemplares por mais de 70 semanas e o boca a boca positivo entre o público e a imprensa foi tão grande, que é claro que uma versão em filme haveria de ser feita. E você? Pretende conferi-lo nos cinemas? Então vem comigo saber mais sobre esta grande obra que acabou de chegar ao circuito brasileiro.


Na história, Mackenzie Phillips parece ter uma vida boa: três filhos maravilhosos, uma bela esposa e um lar adorável – nada aparenta lhe faltar. Porém, quando Mack leva as crianças para acampar durante uma curta viagem, o que começa como uma divertida escapada logo se transforma no mais horroroso pesadelo de um pai: sua filha mais nova, Missy, é sequestrada do acampamento e seu corpo nunca é encontrado. Conforme Mack se esforça para tentar entender uma tragédia tão enorme, ele cai em uma “grande tristeza” e sua vida começa a se desintegrar, ao mesmo tempo em que todos os fantasmas que ele achava ter enterrado há muito tempo ressurgem e o empurram para a beira do precipício. É neste momento que, quando ele atinge o fundo do poço, por assim dizer, Mack recebe uma mensagem misteriosa em sua caixa de correio com um convite de Deus para se encontrarem na cabana – justamente o lugar onde foi encontrado o vestido ensanguentado de Missy. Em uma tentativa desesperada de encontrar uma conclusão e respostas para o assassinato de sua filha, Mack volta para a floresta de Oregon para confrontar o assassino, Deus, e se possível, ambos.



Convenhamos, o diretor Stuart Hazeldine tem lá o seu mérito! De acordo com ele, “a força com que o feito refletiu na vida dos envolvidos na produção foi algo extraordinário”, bem como a onda de histórias pessoais que permeou o ambiente do set. Apaixonado pela obra, Hazeldine sabia que com o apoio do produtor Gil Netter e de sua esposa e coprodutora, Lani Armstrong Netter, não levaria muito tempo até o projeto se desenvolver. Com um livro que é tão adorado por milhões de pessoas em todo o mundo, eles se sentiram confiantes de que a produção não decepcionaria sua base de fãs devotos e esperariam que ele continuasse a provocar o diálogo sobre o poder do amor e do perdão, no que os atores e os cineastas concordam. Por outro lado, se você, caro leitor, é Cristão, certamente vai notar que existem, sim, alguns erros teológicos presentes. São elementos sutis, que não contém aquele apelo religioso desnecessário, mas também não significa que não estejam ali. Confiram e vocês saberão a que eu me refiro.



Em contrapartida, para Sam Worthington (do plausível Fúria de Titãs), por conta deste exame de algumas das maiores e mais enigmáticas questões da vida, o mesmo foi imediatamente atraído para interpretar o papel do protagonista e se conectou emocionalmente com a história. Por sinal, o ator simplesmente carrega o filme, uma vez que está em quase todas as cenas e isso é um peso enorme, o que contribuiu para que Sam representasse seu personagem com uma vulnerabilidade crua e concreta. Quem incorpora Willie, o vizinho e amigo de Mack, é Tim McGraw (Um Sonho Possível). Pai de três meninas na vida real, o ator conta que o roteiro o atingiu como uma tonelada de tijolos. “O Willie é o único homem, a única figura masculina, com quem o Mack tem uma ligação, porque ele tem dificuldades em confiar em alguém, dificuldades essas que vêm de seu pai. Willie é a bússola, o ponto de vista da plateia, é ele quem explica a história do Mack”, afirmou. Ainda em conformidade com o astro, seja qual for a sua crença, você precisa aprender a perdoar o que está fora para poder perdoar o que está dentro de você.


Em harmonia com Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo), que encarna Papai/Deus, ela revela que neste momento da vida do Mack, a única pessoa que mostrou a ele algum tipo de compaixão foi a sua personagem dentro da trama. Embora as concepções para muitos, sejam errôneas. Todavia, da mesma maneira, os mais sensíveis (e não afirmo que sou exceção à regra) irão se emocionar com os levantamentos questionados, pois não é à toa que assim como o best-seller marcou vidas ao redor do mundo, o filme provavelmente assim o fará. Em particular, os temas de vida e morte abordaram a seguinte pergunta ao protagonista: quem é o culpado por partir seu coração? Quem é o culpado por destruir sua fé? Ele não pode acreditar que Deus permitiria tanto sofrimento. Ele não consegue crer que um Deus causaria nele tanta dor e tiraria dele sua Missy. Estas são perguntas muito importantes e que todo mundo acaba fazendo em algum momento de suas vidas.



Quanto a quem interpreta a esposa de Mack, Nan, é a amiga de longa data de Sam Worthington e também australiana, Radha Mitchell (Chamas da Vingança). Enquanto a fé de Nan em Deus é inabalável, a de Mack, na melhor das hipóteses, é superficial e frequentar a igreja serve mais para agradar a sua esposa e dar o exemplo a seus filhos do que para que ele tenha um “relacionamento” com Deus (outro detalhe que pode ser direcionado à realidade de muitas pessoas). Conforme Mack continua em sua jornada, há mais duas entidades que ele deve encontrar. Uma é Sophia (Sabedoria) interpretada pela atriz brasileira Alice Braga, que mostra ao Mack que julgar os outros, ser o juiz e o júri e a necessidade de retaliação não o liberta da dor, mas o mantém preso.



E não poderia deixar de mencionar a estreia de Avraham Aviv Alush (judeu israelense no papel de Jesus) e Sumire (o Espírito Santo, que representa a criatividade e é como o vento, que traz a mudança); tais rostos escalados provaram ser uma busca muito mais elusiva. Aliás, por acaso notaram a constituição da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo? No geral, um elenco reforçado, ainda mais dos atores mirins, Gage Monroe (Josh Phillips), Megan Charpentier (Kate Phillips) e Amélie Eve (Missy Phillips).


Com relação à fotografia, comandada por Joseph Nemec, não deixa de ser impecável! O designer se concentrou e se inspirou pelos relacionamentos entre as personagens e os ambientes que acomodariam organicamente essas interações. “Era imperativo que não se parecesse com um set de filme de terror”, conta Nemec. “Tinha de ser reconhecível para todos aqueles que já leram o livro. Além disso, a “cabana” é o “bandido” do filme; e é o único, porque não vemos o vilão – apenas vemos a cabana algumas vezes, assim seu impacto deve ser poderoso quando isso acontece. É por isso que era tão importante que o espaço parecesse vivo, recentemente usado e mais recentemente ainda abandonado”. Então a beleza natural das montanhas cobertas de neve, dos lagos azuis cristalinos e das florestas de árvores antigas realmente serviu à produção. Sobre a trilha sonora, está formidável, principalmente a faixa Keep Your Eyes on Me, ouvida no trailer e composta por Tim McGraw e sua esposa, Faith Hill. Não deixe de escutar o bônus!



Logo, A Cabana é, apesar dos pesares, muito bom! Por mais que apresente concepções errôneas, a fita está longe de ser péssima. Foram 2 horas e 10 minutos que nem vemos passar, pois ficamos tão concentrados com os eventos oprimidos e inquietantes, que não nos preocupamos com o rumo tomado no desfecho - inclusive, a cena final deixou aquele gostinho de “quero mais”. Assista sem medo, posto que é aquele típico filme cuja narrativa flui naturalmente e sem dúvidas condiz com a realidade do ser humano. Uma película que nos faz parar e pensar em muitas questões, mas que acima de tudo, não será esquecido tão cedo.




Título Original: The Shack

Direção: Stuart Hazeldine


Elenco: Sam Worthington, Octavia Spencer, Tim McGraw, Radha Mitchell, Alice Braga
, Amélie Eve, Gage Munroe, Megan Charpentier, Carolyn Adair, Carson Reaume, Chris Britton, David Longworth, Derek Hamilton, Derek Hamilton, Emily Holmes, Graham Greene, Jordyn Ashley Olson, Lane Edwards, Nels Lennarson, Ryan Robbins, Sumire.

Sinopse: um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida.

Trailer:


Bônus:


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Eduardo Ben

Sou um jovem que curte bastante cinema, inglês, ler e jogar de vez em quando.

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