Crítica: Antes Que Eu Vá (2017, de Ry Russo-Young)


Disfarçado de filme água com açúcar para adolescentes, Antes Que Eu Vá surpreende com narrativa sólida e protagonista realista.

Samantha é uma garota popular, rica, com ótimas amigas e namora o garoto mais popular da escola. Ela e suas três amigas praticam bullyng com todos da escola de maneira natural e sem filtro. A trama começa acontecer quando as quatro vão até uma festa, bebem muito, humilham uma garota e na volta para casa sofrem um acidente mortal. Após isso, Samantha começa a acordar sempre no dia do acidente fatídico e não importa o que ela faça para tentar mudar as coisas, o dia sempre começa igual, como se a fita tivesse sido rebobinada.



Embora a premissa não seja inovadora, Ry Russo-Young dá ao filme uma sensibilidade estética muito boa, ela foge do convencional desses filmes para jovens adultos e ousa na paleta de cores mais azuladas, acinzentadas e metalizadas, trazendo tons frios para o filme, passando as emoções necessárias através da fotografia. Ponto para o diretor de fotografia Michael Fimognari e para o acerto criativo de Russo-Young.

Maria Maggenti adaptou o roteiro, que têm suas falhas. Ele entrega no primeiro ato o rumo que o filme vai tomar, além de não construir bem os outros personagens, por mais que Samantha seja interessante, todos os outros personagens não, além da Juliet ser muito estereotipada. Mais um problema do filme é a edição, por mais que não comprometa o resultado final do filme, a edição poderia ser mais assertiva nas transições de um dia para o outro, além da cena final ser um pouco mal feita, não posso comentar muito sobre isso para não dar spoilers, mas assistam e percebam que a última cena não foi bem filmada e têm uns recursos de edição que ficaram estranhos, mas são defeitos leves comparados as qualidades que o filme tem.


Além da fotografia, a trilha sonora também é muito boa, as músicas são atuais e se encaixam muito bem em vários momentos do filme, por mais que sejam muitas músicas, elas não ficam cansativas e nem fora de propósito. O filme tem um ritmo muito bom, em nenhum momento a história fica morna ou é passada sem sutileza, tudo está em seu devido lugar e os temas abordados são transmitidos de maneira clara e eficiente.

Zoey Deutch faz um trabalho excepcional na pele de Samantha, ela não é uma atriz carismática e tem algumas limitações faciais, mas ela consegue segurar o filme nas costas em termos de atuação. Sua personagem tem várias nuances dramáticas e ela faz todas elas muito bem, ela desconstrói a patricinha rica estereotipada e entrega uma Samantha humanizada, realista, cheia de camadas, que consegue criar empatia com o público a ponto da gente acompanhar sua jornada sem se preocupar com os outros personagens. Zoey é uma atriz que está amadurecendo e comparada aos filmes mais recentes nessa mesma pegada, ela já sai na frente da Chloe Grace Moretz (Se Eu Ficar) e de Emilia Clarke (Como Eu Era Antes de Você). Halston Sage faz o papel da Lindsay, a melhor amiga de Samantha, ela tem carisma e consegue ter um timing bom para a comédia, mas quando sua personagem passa pelos momentos dramáticos, ela não entrega bons resultados. Elena Kampouris vive Juliet, a jovem alvo de xingamentos por parte das meninas populares e aqui ela é completamente estereotipada, mas no terceiro ato, onde sua personagem ganha importância, Elena cresce e entrega um bom papel. O restante do elenco é esquecível e não tem grandes momentos em cena.


Por fim, Antes Que Eu Vá vai além de uma mensagem bonita, é um drama que mesmo com seus defeitos, entrega uma protagonista interessante, bons acertos técnicos e uma história que precisava ser contada.





Título Original: Before I Fall

Direção: Ry Russo-Young

Elenco: Zoey Deutch, Erica Trembley, Logan Miller, Halston Sage, Cynthy Wu, Diego Boneta, Jennifer Beals, Kian Lawley, Medalion Rahimi e Elena Kampouris

Sinopse: Samantha Kingston (Zoey Deutch) é uma jovem que tem tudo o que uma americana pode desejar da vida, no entanto, essa vida perfeita chega a um final abrupto e repentino no dia 12 de fevereiro, um dia que seria um dia como outro qualquer se não fosse o dia de sua morte. Após ela e suas amigas sofrerem um terrível acidente, Samantha acorda no mesmo dia por várias vezes e ao longo do filme, ela vai descobrindo o quanto que suas atitudes refletem na vida das pessoas que a cercam.


                                                  Trailer:


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Yago Tanaka

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