Crítica: Catfight (2017, de Onur Tukel)



Nós estamos tão acostumados a filmes que não fujam do convencional, que entreguem mais do mesmo e que não surpreendam em nenhum aspecto, que Catfight chega como um alívio em meio a tantas comédias clichês.

Embora a premissa de Catfight não seja novidade, a forma como o roteiro trabalha isso foge completamente dos filmes convencionais Hollywoodianos que estamos acostumados a ver. O roteiro é um dos bens mais preciosos do filme, além de trabalhar muito bem o desenvolvimento das personagens principais, ter essas tiradas ácidas na medida e ter críticas sociais fortes, o roteiro é extremamente assertivo quando passa para parte mais cômica, com a sucessão de acontecimentos improváveis e a falta de sutileza proposital.



Além de dirigir bem o elenco principal e de escrever esse roteiro maravilhoso, Onur dirige muito bem as cenas de briga, já que todas são bem coreografadas, em ambientes diferentes e com efeitos sonoros exagerados e ampliados.

A edição do filme incomoda um pouco, as vezes surgem uns cortes secos que variam entre a vida de Ashley e Veronica que são amadores. Além desse defeito, o ritmo do filme as vezes fica prejudicado também, é um filme curto, mas que poderia fluir melhor, principalmente no segundo ato.



Sandra Oh é uma excelente atriz e transparece essa certeza em cena. Sua personagem é crucial para que o filme dê certo, sua performance é fundamental no resultado final de Catfight e ela consegue entregar um ótimo trabalho. Além de acompanhar o crescimento de sua personagem, Oh tem expressões faciais fortes, que conseguem dar o humor que sua personagem necessita, além de ter uma carga dramática grande. Tem uma cena que ela está sentada na cama vendo um vídeo e ela destrói, ela consegue ir da comédia para o drama sem dificuldade e faz com que a gente crie empatia pela personagem rapidamente. Anne Heche é uma atriz menos técnica, mas consegue entregar um bom trabalho também, as cenas dela do segundo ato em diante são bem difíceis e ela fica em um nível parecido ao da Oh. Alicia Silverstone passa despercebida, além de ser uma atriz mediana, sua personagem é apática e ela não tem muito para onde crescer. Dylan Baker e Amy Hill aparecem pouco, mas ambos tem o timing perfeito para a comédia, fazem muito bem seus papéis de coadjuvantes. 



Por fim, Catfight é um filme escrachado, embalado em uma espécie de novela mexicana dos anos 90, mas não se engane, é um filme com humor ácido, críticas sociais importantes, com excelente desenvolvimento de personagens e uma performance magnífica de Sandra Oh.







Título Original: Catfight

Direção: Onur Tukel

Elenco: Sandra Oh, Anne Heche, Alicia Silverstone, Ivana Milicevic, Peter Jacobson, Dylan Baker, Jordan Carlos, Damian Young e Amy Hill

Sinopse: Veronica (Sandra Oh) e Ashley (Anne Heche) são suas ex-colegas de faculdade que tem vidas completamente diferentes. Veronica tem uma vida privilegiada, ótimas condições financeiras, família aparentemente estruturada e posição social alta, se contrapondo a vida de Ashley. Ashley é uma artista fracassada, que se vê frustrada ao ajudar a namorada em um emprego de garçonete. As duas se desentendem, brigam e após uns anos, Ashley começa a ter sucesso e melhorar de vida, enquanto Veronica se vê falida.


                               Trailer:






Yago Tanaka

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