Crítica: Mulher-Maravilha (2017, Patty Jenkins)


É difícil começar a escrever ou falar de Mulher-Maravilha, sem citar os antigos filmes da DCEU (Universo Cinematográfico da DC ou DC Extended Universe). Entre eles, Homem de Aço, Batman VS Superman: A Origem da Justiça e Esquadrão Suicida, ambos fracassos em críticas e agradando mais uns do que a maioria do público. Mas, eis que em sua semana de estreia são liberados os comentários e opiniões desse novo longa da DCEU, e felizmente, gostando ou não, foram bons, tratando realmente de um bom filme.

Antes de ser Mulher-Maravilha, ela era Diana (Gal Gadot), princesa das Amazonas, treinada para ser uma guerreira imbatível. Criada numa ilha paraíso protegida e escondida. Quando tudo muda a partir da chegada do piloto americano Steve Trevor (Chris Pine) em seu território, avisando sobre um grande conflito que toma forma no mundo. Diana deixa seu lar convencida de que pode impedir a ameaça crescente. Lutando ao lado dos homens em uma guerra para dar fim a todas as outras, Diana descobre seus poderes… e seu destino.


Como já falado, Mulher-Maravilha é sim um bom filme, mas por quê? Grande parte dessa resposta tem como nome Patty Jenkins (Monster – Desejo Assassino), diretora que teve sua experiência no mundo da TV e como bagagem cinematográfica apenas um filme. Em Mulher-Maravilha ela acerta bastante, constrói bem as cenas, dando bons enquadramentos a toda exposição necessária em tela, passando e deixando mais que perceptível (mesmo que falado) o tema principal daquele arco, ou enredo geral. Definitivamente foi uma boa direção.

Mas mesmo sendo uma boa direção, lógico, há os seus erros. No total há uma ótima cinematografia e boas cenas de ação para o fascínio do público, principalmente por usos interessantes do Slow-Motion, mas por esses mesmos os erros ocorrem. É excessivo, bem usado em cenas interessantes, mas é também usado apenas para tentar causar a cena que não é interessante, ser. Deixando claro a repetição dessa ferramenta, e até incomodando. Além disso, existe uma cena que foge totalmente da trilha que o filme seguia e assim permanece em sua continuidade, mas apesar deste empecilho é uma ótima história de introdução para a personagem, além de deixar nos trilhos o que quer ser exposto. Nesses quesitos, ponto para Patty Jenkins.


O roteiro é outra coisa boa, criando um ótimo apelo emocional trazida pela protagonista, inserindo bem o discurso principal, fazendo funcionar – mesmo em um filme de super-herói – o romance entre uma protagonista e seu amante (as cenas entre Diana e Trevor realmente funcionam), o que mostra uma boa qualidade na transição de gênero do próprio filme. Apesar disso tem seus erros, tendo falhas em certas conexões e ritmo para o filme. Mas, Geff Johns disse que traria esperança aos filmes da DC, e realmente, com a ajuda de Allan Heinberg no roteiro, traz, e muito bem. Sendo muito bem organizado, introduzido, construído e desenvolvido. Nesses quesitos, ponto para Geff Johns e Allan Heinberg, ambos roteiristas de HQs.

Já Gal Gadot (Batman VS Superman: A Origem da Justiça) não atua bem, porém, apesar desse defeito, cai como uma luva para a personagem, não gerando problemas para a obra como um todo. Enquanto isso, Chris Pine (Star Trek, A Qualquer Custo) acerta, mas não sempre, em todo primeiro ato é perceptível um esforço do ator para as cenas, o que pode ser um problema, felizmente ele se recupera nos demais atos cumprindo bem o papel e importância em seus arcos. Mas e os demais atores? Pois é, aí vem o grande problema do filme.


O 3º ato, sim, isso mesmo, o 3º ato. Infelizmente nele é carregado grande parte dos problemas, o que não o torna ruim, mas não o faz ser bom. Nele há a solução do problema, e para todo bom filme de herói a solução é vencer o vilão, muito bem, vilão que nesse caso mal aparece ou é aproveitado no filme, sendo difícil dizer a qualidade de atuação de certos personagens envolvidos nesse arco. Sendo o 3º ato, principalmente em sua conclusão recheado de CGi, que até então era perceptível, porém pouco, mas nesse ato final é mais que evidente, fazendo até mesmo lembrar do final de Batman VS Superman: A Origem da Justiça, felizmente esse show de horrores visuais tem pouco tempo em tela, não se tornando uma catástrofe para o filme. Apesar disso, o 3º ato tem uma boa construção, o que faz ele não ser ruim.

De resto temos uma ótima temática, visual, reconstrução de época, figurinos, música tema – o que chega a ser realmente muito bom, por ser uma coisa tão despercebida por filmes de herói. Infelizmente nessas qualidades técnicas temos um problema de montagem, não que erre sempre, mas quando erra é fácil perceber, basta tentar adicionar um comercial ali, o que não geraria o menor problema pelo tamanho de dissonância entre uma cena e outra.  


Mulher-Maravilha é um filme que fala sobre humanidade, amor, tendo como temática a 1ª guerra, incluindo romance e desenvolvimento para uma boa construção de personagem (o que houve) para filmes futuros. Acertando em cheio o que tantos filmes do DCEU e até mesmo da Marvel acabam errando, dando mais ênfase a história e sentido do que para ação. Acertando mais do que errando, até mesmo em CGI (quase em todo 1ª ato ele é presente, e muito belo tão quanto utilizado).

Ficou na cabeça, me emocionou e me conquistou. Talvez não seja uma obra-prima dos filmes desse gênero, mas com certeza vai estar na sua lista de melhores, ou bons filmes de herói, como está na minha. Tendo em mente sobre o que o filme se trata, vá ver, recomendo bastante. Não é ótimo, mas é aquele bom com gostinho de melhor ainda. 


Título Original: Wonder Woman

Direção: Patty Jenkins

Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, David Thewlis, Danny Huston, Elena Anaya, Connie Nielsen, Ewen Bremmer, Lucy Davis, Saïd Taghmaoui

Sinopse: Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

Trailer: 


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Vinícius Dellvale

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