Crítica: Okja (2017, de Bong Joon-ho)


Que a Netflix é um sucesso mundial e que vem crescendo a cada ano não é novidade, mas esse ano ela conseguiu um feito interessante. Levou dois filmes para competir no principal festival de Cinema do mundo, o de Cannes. Sendo o primeiro filme levado a Cannes a entrar em seu catálogo, Okja surpreende com uma narrativa complexa, personagens incríveis e uma bela fotografia.

O filme opta por uma estrutura narrativa contundente e bem elaborada. Se por um lado, a vertente emocional do vínculo de Okja com Mija é explorada o filme inteiro, com picos dramáticos excelentes, por outro, as críticas afiadas à indústria alimentícia são feitas sem pestanejar, sem se preocupar se quem está assistindo o filme é ou não é carnívoro.



Embora seja um pouco parecido com os filmes do Hayao Miyazaki, Bong Joon-ho emprega duas características dos seus dois últimos filmes em Okja e a relação que a gente faz com a carreira do diretor e roteirista é imediata. Uma delas é a preciosidade da relação familiar que vimos em Mother, filme aclamado que venceu prêmios em festivais importantes. Outra característica é a crítica ao capitalismo, sem sutileza nenhuma que vimos em Expresso do Amanhã. Ambos elementos presentes nos filmes recentes de Bong estão muito bem entrelaçados em Okja.



Algumas das coisas que acontecem lá no terceiro ato do filme e no primeiro resgate que o grupo de resgate dos animais são impossíveis, isso incomoda um pouco, aquela mentirinha básica típica de filmes de ação, sabe? Mas fora isso, Okja é impecável

É intrigante como em um elenco com Tilda Swinton, Paul Dano e Jake Gyllenhaal, uma atriz mirim com pouca experiência seja o destaque, né? Mas em Okja isso aconteceu. Ahn Seo-hyun tem a melhor performance do filme, ela cria empatia com o público logo nos primeiros minutos e ao longo do filme vai cativando ainda mais com sua coragem e perseverança. Além de ser carismática, Ahn tem carga dramática e nas cenas mais tristes ela consegue passar com verdade a dor de sua personagem. Tilda Swinton está muito bem no filme, ela é o tipo de atriz camaleão que faz qualquer papel sem baixar o padrão de qualidade, sua personagem tinha tudo para ser caricata, mas ela entrega tudo na medida certa. Jake Gyllenhaal é um excelente ator, mas está extremamente equivocado no filme, sua performance é muito afetada e ele é muito caricato, triste ver um ator que sempre acerta errar a mão de maneira gritante assim. Paul Dano e Lily Collins não tem muito espaço no filme, mas entregam performances razoáveis.



Uma trilha sonora ótima, uma fotografia assertiva, um tema relevante, uma protagonista excelente e um diretor no seu auge, como podem ver, Okja é uma soma de qualidades em um roteiro muito bem amarrado. É um filme que transborda qualidade técnica e nos encanta com esse apelo sentimental bem aplicado.




Título Original: Okja

Direção: Bong Joon-ho

Elenco: Ahn Seo-hyun, Tilda Swinton, Paul Dano, Jake Gyllenhaal, Steven Yeun, Lily Collins, Byun Hee-boung, Yoon Je-moon e Shirley Henderson

Sinopse: Lucy Mirando (Tilda Swinton), a CEO de uma poderosa empresa, apresenta ao mundo que uma nova espécie animal foi descoberta no Chile. Apelidada de "super porco", ela é cuidada em laboratório e tem 26 animais enviados para países distintos, de forma que cada fazenda que o receba possa apresentá-lo à sua própria cultura local. A ideia é que os animais permaneçam espalhados ao redor do planeta por 10 anos, sendo que após este período participarão de um concurso que escolherá o melhor super porco. Uma década depois, a jovem Mija (Seo-Hyun Ahn) convive desde a infância com Okja, o super porco fêmea criado pelo avô. Prestes a perdê-la devido à proximidade do concurso, Mija decide lutar para ficar ao lado dela, custe o que custar.


Trailer:



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Yago Tanaka

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