Crítica: Praia do Futuro (2014, de Karim Aïnouz)


Praia do Futuro é uma co-produção entre Alemanha e Brasil, co-roteirizada e dirigida por Karim Aïnouz. Visualmente, o filme é impecável - fotografia e direção de arte principalmente - dos belos planos e takes da ensolarada Praia do Futuro, em Fortaleza, à fria, porém não menos bela, Berlim. Não à toa, afinal de contas Karim, além de diretor, é também artista visual. O longa também conta com boas atuações do elenco principal (com destaque para Wagner Moura, que para variar, rouba a cena), mas alguns problemas de roteiro comprometem o que de outra forma poderia ter sido um grande filme sobre escolhas e a busca do ser.



O filme é dividido em três partes: na primeira, acompanhamos o resgate de Donato, um salva-vidas na Praia do Futuro, de duas vítimas de afogamento. Uma delas é Konrad (Clemens Schick), alemão com quem Donato acaba se envolvendo. Na segunda parte, Donato visita Konrad em Berlim, e na terceira o irmão mais novo de Donato, Ayrton (Jesuíta Barbosa) vai ao seu encontro na Europa.


Entre cada uma das partes há uma elipse temporal. Entretanto, as elipses não são do tipo sutis, em que percebe-se sem muita dificuldade a passagem de tempo e a transformação na vida das personagens; em Praia do Futuro, o telespectador fica um pouco desorientado até entender o que mudou de uma parte para a outra no filme.

Além disso, os fatos acontecem muito rapidamente; não há tempo para maturação e desenvolvimento. Na primeira parte, logo no começo do filme, quando a gente menos espera, já tem uma cena de sexo, logo depois de as personagens terem acabado de se conhecer e trocado algumas poucas palavras; antes mesmo de termos aprendido seus nomes. Na segunda parte, Donato já está em Berlim, e a gente fica se perguntando: como isso aconteceu? Até porque até onde podemos ver, a relação entre ambos é mais sexual do que emocional, e o telespectador precisava de mais tempo para entender essa relação, algo que nos desse a entender que a relação tinha continuado após os eventos da primeira parte.



O diretor e co-roteirista opta por um filme sem muitos diálogos, os quais são substituídos na maior parte por imagens e objetos simbólicos. Visualmente contribui ainda mais para o aspecto técnico impecável do filme, porém prejudica um pouco a experiência por parte do telespectador, que muitas vezes fica sem saber a real intenção das personagens. E nas cenas em que têm diálogo, fica a sensação de que as falas poderiam ter sido melhor trabalhadas, a fim de revelar o tanto de informação que fica subentendida.

Por falar nisso, o desenvolvimento de personagens também deixa um pouco a desejar. Só chegamos a conhecer com alguma profundidade Donato (Wagner Moura) e Ayrton (Jesuíta Barbosa); quanto a Konrad (Clemens Schick), que é co-protagonista, ficamos, o tempo todo, sem saber qual a motivação da personagem durante o filme. Porém, mesmo com estas falhas, não se pode negar a qualidade do filme e a sua contribuição, seja pela sua estética, seja pelo seu tema, tanto para a filmografia de Karim Aïnouz quanto para a do cinema brasileiro.


Título Original: Praia do Futuro

Direção: Karim Aïnouz

Elenco: Clemens Schick, Emily Cox, Ingo Naujoks, Jesuíta Barbosa, Natascha Paulick, Sabine Timoteo, Sophie Charlotte Conrad, Wagner Moura.

Sinopse: Wagner Moura interpreta um salva-vidas (Donato) que trabalha na Praia do Futuro, em Fortaleza. Ao fracassar pela primeira vez em um resgate, ele acaba conhecendo o alemão Konrad (Clemens Schick), amigo da vítima. Motivado pelas circunstâncias, Donato resolve recomeçar a sua vida em Berlim, deixando para trás a família e o passado. Anos mais tarde, Ayrton (Jesuíta Barbosa), o irmão mais novo de Donato, embarca para a Europa em busca do irmão, que considerava seu herói.

Trailer:

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Michele Figueiredo

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